Mais um ano, mais um artigo sobre os óscares, só mesmo para cumprir a tradição.
Directo ao assunto que o tempo não abunda começamos pelo que se assemelha como a mais fácil entrega: o de melhor actor. Pese embora a concorrência ser forte, com o Vigo Mortensen muito longe dos tempos do Aragorn de “O Senhor dos Aneis” mas sobretudo outro actor que eu prezo muito: Christian Bale na pele de Dick Cheney, o óscar irá quase certamente para Rami Malek.
Não deixa de ser curioso que as duas melhores prestações entre os nomeados sejam imitações de pessoas reais mas a complexidade da imitação de uma personagem como Freddie Mercury apresentava um desafio gigantesco extremamente bem superado por um talentoso Rami Malek que tem ainda muitas cartas para dar. Do lado excentrico ao mais sentimental está lá muito mais do que seria essencial para o filme.
E mantemo-nos a falar do mesmo filme mas já entrando na categoria de “Melhor Filme”. Sabe Deus o quão fã dos Queen eu sou e talvez seja esse o motivo que me leva a dizer que o Bohemian Rhapsody não deve ganhar o Oscar de melhor filme. Não vai nada além de uma biopic que conta mal e com erros a história da banda. Não deixa de ser uma boa produção e gostei muito de ver mas, para mim, insuficiente para o tão esperado prémio. Ainda para mais quando entre os restantes nomeados temos “Green Book, sem dúvida o meu favorito. A dura realidade de uma América dividida entre a aceitação total, a indiferença e o segregacionismo declarado ou encapotado dos negros. Uma belissima história com excelente interpretações (sendo que também aqui entrego o Óscar de Melhor Actor Secundário a Mahershala Ali que bisa depois de Moonlight), além do Melhor Argumento Original. Também a Favorita, não sendo mau, não vejo como a melhor escolha e muito menos o Roma que, a vencer, seria por razões políticas (sendo que é mais do que provável que arrecade a estatueta para Melhor Filme Estrangeiro).
Nas senhoras o Óscar para Melhor Actriz deverá ser entregue à veterana Glenn Close pela prestação em “The Wife” mas Olivia Colman, cujo trabalho tenho acompanhado sobretudo nas séries Sherlock e Broadchurch, tem uma palavra a dizer sendo que, para mim, seria a vencedora.
Entre as boas prestações de actrizes secundárias os destaques vão para Regina King (If Beale Street Could Talk) e Rachel Weisz. Não tendo visto a prestação da Regina King, apontada como favorita, o “meu voto” atribui mais um óscar a “The Favourite”.
Quando deixamos o campo da representação e passamos para a música o destaque vai para “Shallow” da Lady Gaga que será justo vencedor do Óscar para Melhor Canção Original. Já If Beale Street Could Talk deve levar o galardão de Melhor Banda Sonora Original (ainda que para mim a do Black Panther seja mais do meu agrado e justa vencedora).
Quase não é possível falar de Óscares sem falar do grande derrotado da noite, aqueles filmes que se apresentam como líderes no número de nomeações mas que depois falham na hora de abrir o envelope e saber quem ganha. Com 10 nomeações cada os filmes “The Favourite” e “Roma” ficam bem posicionados para o desastre sendo que, entre eles, o pior poderá esperar este último com apenas a concretização do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Realizador (justamente atribuído se assim for a Alfonso Cuarón). No entanto, se a prestação das 3 actrizes nomeadas, não tiverem sido suficientes para convencer o júri, “The Favourite” pode sair com pouco mais do que um Óscar para Melhor Guarda Roupa.
Resta agora sentar confortavelmente no sofá e apreciar mais uma noite de cinema.





