Semana 4 – o último grande veto

Para mim, o tema da semana foi o veto do Cavaco à lei da coadopção por casais homosexuais.
Toda a gente caiu em cima do Cavaco sem no entanto saberem sequer as razões que levaram ao veto
quanto mais tentarem sequer percebê-las.
Infelizmente esse é um grande mal da sociedade e não apenas visivel nas classes menos informadas
mas sobretudo entre as pessoas mais cultas.
No entanto existiram duas razões, a meu ver bastante acertadas
para o veto:
– o facto de não ter existido nenhum debate sério acerca do tema;
– a inexistência de estudos imparciais e claros que demonstrem a inexistência de quaisquer tipo de condicionantes
ao nível do desenvolvimento da criança.

Na minha visão, no que respeita ao primeiro ponto, não se trata sequer de referendar a questão porque sou contra referendos mas pelo menos existir debate claro sobre os prós e contras desta coadopção e medir a opinião geral da população (e hoje em dia existem diversas formas de o fazer sem recorrer a referendos).
Assistiu-se ao invés à aceitação por parte do Governo de Costa, refém da imposição por parte do ativismo
da extrema esquerda que se aproveita da fragilidade do Governo e da sua posição de supremacia politica.
Relativamente ao segundo ponto, os poucos estudos que existem assentam em pressupostos tendenciosos sem que no entanto existam fundamentos científicos sólidos. Pelo menos não o suficiente para conseguirem sustentar de forma inequívoca a opinião dos que durante a semana crucificaram o ainda Presidente da República e que convença os mais cépticos de que a coadopção por pessoas do mesmo género não traz ao adoptado nenhuma condicionante futura.

Algo que cada vez mais merece a atenção dos media, nacionais e internacionais, é a candidatura de António Guterres para Secretário Geral da ONU.
Apoio a 200% esta candidatura, não apenas por ser a candidatura de um português para um lugar de imenso prestigio mas também porque lhe reconheço capacidades para tal.
Tendo sido, até há pouco tempo, ACNUR diria que está razoavelmente bem colocado para suceder a Ban Ki Mon, apesar das regras não escritas da ONU que apontam para um candidato da Europa de Leste. Ou aliás, uma candidata, tendo em conta que derivado ao sexismo bastante em voga fica bem se tivermos uma mulher à frente da ONU.
Mas voltando atrás, os refugiados são um tema central do mundo actual em todos os níveis, seja político, financeiro, económico ou social (o que pesa menos, infelizmente, porque o que interessa é o dinheiro e não as consequências sociais destas migrações em massa, tanto para quem migra como para quem acolhe) e António Guterres desempenhou um papel nesse campo. Ainda que o papel do ACNUR seja relevante e obrigue até os governos dos diversos países a seguir as indicações do titular do cargo, na prática isso não se verifica sendo que pressão é tudo quanto o ACNUR consegue exercer.
Apesar de simpatizar com a sua figura e reconhecê-lo como alguém simpático e afável, enquanto Primeiro Ministro não acho que tenha feito um papel aceitável. Ainda assim há que salientar aquilo que muitos não sabem ou teimam em esquecer-se… Guterres desempenhou um papel FUNDAMENTAL na libertação de Timor e no processo de independência nomeadamente quando “encostou à parede” o ex-presidente Americano, Bill Clinton, ameaçando com a retirada das tropas portuguesas dos Balcãs se os EUA não tomassem uma posição pró-Timor, ponderando até demitir-se em caso de falhar na negociação ou quando na Cimeira UE-ASEAN tomou a iniciativa de falar com o Presidente Suharto quando as figuras de peso que eram John Major e Helmut Kohl lhe cortaram a palavra.

Além do mais há outro factor que joga a favor de António Guterres: o facto de ser um elemento neutro sem anticorpos em nenhum dos membros do Conselho de Segurança, orgão que pode vetar a nomeação da Assembleia Geral das Nações Unidas, algo que dificilmente acontecerá com outros candidatos (os do bloco de leste – favoritos à eleição – que facilmente são vetados pelos EUA e os candidatos mais próximos das restantes potências europeias que podem ser vetados pela Rússia).

Em Itália rebentou a polémica por causa da visita do Presidente Iraniano Hassan Rohani. Na base dessa celeuma está o facto de ter sido decidido que as estátuas por onde Rohani passasse seriam tapadas. Para aumentar o descontentamento os italianos acederam ainda a que não fosse servido vinho durante o jantar oficial, sendo que a religião muçulmana não permite o seu consumo.
Para mim este tipo de concessões são inadmissíveis quando feitas de forma unilateral. Poderia até ser bastante razoável o cumprimento das tradições e leis pelas quais se rege o Presidente do país visitante, mostrando respeito pelo mesmo. Mas para isso, no caso de por exemplo um Presidente europeu se deslocar ao Irão, o mesmo deveria ser feito, como por exemplo servirem vinho à refeição porque é uma tradição nossa, ou algo que para nós é perfeitamente normal.
Quanto mais dermos mais será exigido sem que exista retorno. E isto é um problema que não é de agora. Basta por exemplo olhar para os imigrantes que já se encontram na Europa vai para largos anos e não fazem um esforço por se integrar na comunidade e na cultura do país de acolhimento. Ninguém lhes pede que mudem de religião ou reneguem a cultura e tradições que são deles mas apenas se pede um mínimo de respeito e esforço por se integrarem e pelo menos aceitarem as diferenças, algo que não acontece, ou acontece muito raras vezes.

Por ultimo, Marcelo Presidente! Penso que não há grande coisa para dizer, daí ter deixado para ultimo. Foi uma vitória em toda a linha, venceu em todos os distritos e só não venceu num Conselho (avis, no alentejo, onde ganhou Edgar Silva). Como já referi anteriormente não retirei grande coisa dos debates que vi e como a campanha do nosso novo presidente foi escassa não sei mesmo o que esperar. É uma figura simpática, de profunda capacidade de trabalho, amplitude de ideias e que consegue “ver bem ao longe” prevendo vários cenários e trabalhando cada um deles. A vitória foi fácil tendo em conta o mediatismo que o rodeia e agora vai ser sempre, cada vez, mais dificil.
No entanto o meu destaque vai para o Tino de Rans que conseguiu uma votação impressionante chegando mesmo, em alguns distritos, a ficar à frente da candidata “indepentente” Maria de Belém. Há quem diga que votar no Tino é um voto de protesto. Acredito que a maior parte das pessoas o fez como forma de protesto, ainda assim volto a referir que, para mim, o Tino teve a melhor campanha de todos, com os discursos e soundbites mais acertados e as ideias mais equilibradas sem entrar em guerrinhas com os outros candidatos.

Semana 3 – Mas quem será, mas quem será, o novo Presidente? Eu sei lá sei lá…

O artigo está pronto e está apenas à espera das 20h para ser publicado. E porquê? Porque vamos falar de Presidenciais.

Neste momento fala-se em 48 a 52% de Abstenção. É de mais. Para primeiro mandato é algo nunca antes visto. Mas é perfeitamente compreensível. Que ideias novas ouvimos nos debates e nas campanhas? Não vi mais do que
ataques pessoais de todo o tipo. Do debate a nove desta semana eis o que retirei: Continue reading

Semana 2 – 5h a menos, mais tempo para ver os filmes dos óscares

Abro com o destaque do Desporto para referir dois pontos que ocorreram durante o passado fim-de-semana mas que já não foram a tempo de serem publicados no último artigo.

O primeiro está relacionado com o jogo Nacional vs Benfica que se deveria ter realizado na Choupana no Domingo à noite.
Depois do Sporting ter jogado em Lisboa às 16h e o Porto no Bessa às 18h, por questões de transmissão televisiva, o Benfica foi relegado para as oito da noite num estádio como aquele. A meu ver é uma decisão incompreensível e inadmissível. É tudo uma questão de probabilidades e a probabilidade de existir nevoeiro que impossibilitasse o jogo era muito maior às 20h do que as 16h ou às 18h. Porque não trocar? Não percebo.

O principal destaque vai para o Paulo Gonçalves e o facto de ter parado para auxiliar um concorrente acidentado, pondo em risco a sua própria liderança na prova. Que todos consigamos aprender algo com este gesto do Paulo Gonçalves que é de uma nobreza sublime.
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Semana 1 – Resoluções de Ano Novo

Com a chegada de um novo ano chegam as habituais resoluções. A minha não é propriamente uma resolução nova, não só porque já o tentei várias vezes mas também porque tenho vindo a pensar nisto há algumas largas semanas e a desenvolver a ideia de voltar a revitalizar aqui o estaminé. Foram algumas semanas a pensar que alterações fazer, começar ou não por mudar o design, a frequência ideal para escrever de forma a cativar e manter uma base sólida de leitores sempre tendo em conta a minha disponibilidade sem me sobrecarregar e sobretudo que assuntos abordar. Decidi para já manter o design inalterado (no futuro quem sabe isso venha a acontecer) e garantir pelo menos um artigo semanal com a minha opinião sobre a actualidade (sobretudo ao nível nacional). Se isto pegar quem sabe daqui por uns anos não me candidato à presidência da República.

Numa semana de pré-campanha eleitoral onde os debates televisivos entre os dez candidatos se multiplicaram o meu destaque vai para… O Ministro da Educação e as alterações efectuadas no ensino. É pelo vazio de ideias que tenho encontrado nos debates e nos resumos que leio dos debates mas sobretudo pelos impactos que se prevêem no sistema educativo que me fazem realçar este assunto.

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Florença


Visitar Florença era para mim um desejo muito antigo, sem dúvida a minha prioridade em viagens a realizar. Felizmente tive essa possibilidade no passado mês de Março.

Achei a cidade absolutamente lindíssima e um autêntico museu a céu aberto. Respira-se cultura e renascimento em cada rua, a cada esquina. Fascinante.

Mas recuemos um pouco ao inicio da viagem. Antes de mais aconselho a pré-compra de bilhetes através da internet em www.trenitalia.com porque podem conseguir poupar uns bons trocos e porque se arriscam a já não ter lugar caso tentem comprar no dia da viagem. Escusado será dizer que devem optar pelo comboio rápido que demora apenas 1h30 de Termini a Santa Maria Novella.

A grande questão: é possível visitar Florença em apenas um dia? Resposta: NIM. Caso pretendam contentar-se com as principais atracções e contando com alguma sorte (com as filas) podem consegui-lo num dia. Para conhecer um pouco melhor a cidade e os seus encantos serão necessários 2 dias no mínimo. Vou no entanto contar-vos o que vi no meu dia que passei em Florença, o que fiz e o que ficou por fazer.

Caso optem por uma visita de um dia apanhem o comboio bem cedo em Roma. Eu cheguei por volta das 10h30 a Florença (devido a obras o comboio sofreu um ligeiro atraso). Saindo da estação de Santa Maria Novella podem logo visitar a Igreja do mesmo nome mesmo em frente à estação, não perdendo no entanto muito tempo porque o dia vai ser preenchido. Eu optei por seguir directo à Capela dos Medici. Perdi algum tempo na fila mas apenas por culpa da guia que estava à minha frente e que quis comprar 48 bilhetes (e depois conjugar os 48 bilhetes entre bilhetes de grupo, alguns que tinham desconto por serem estudantes, outros séniores… enfim… uma confusão que me custou um bom quarto de hora). No entanto o interior vale a pena pelas fantásticas esculturas e o trabalho das paredes daquilo que deveria ser uma “simples” capela mortuária. Daí seguimos até à Piazza del Duomo. Preparem-se para a grandiosidade que vos espera, sobretudo porque até lá chegarem vieram por ruas estreitas com prédios relativamente baixos até que de repente desembocam numa praça também ela não muito grande com o colosso que é o Duomo.

Penso que perdi mais tempo a apreciar a fachada do Duomo por fora (que como poderão comprovar tem uma decoração diferente de tudo quanto tinha visto até então) do que perdi no seu interior. Sinceramente não tenho muitas palavras para o descrever tendo em conta que o acho completamente diferente de tudo o que vi até então, desde a decoração exterior à envolvente. Mesmo em frente, no meio da praça, encontra-se o Batistério de S. João que, julga-se, é a construção mais antiga da cidade. Apesar de estar em obras deu para admirar a fantástica porta com os seus relevos de bronze. Optei por poupar as minhas pernas e a minha carteira à súbida à torre do Duomo e encaminhei-me para a Accademia. Sem qualquer fila para entrar (tive mais uma vez sorte mas não contem muito com isso) e não demorando muito tempo a apreciar cada pintura e cada escultura é algo que se vê em cerca de 1h/1h30 (sendo que boa parte vão passá-la a apreciar o David original).

Depois do almoço dediquem algum tempo a vaguear pelas principais artérias do centro de Florença. Uma visita à Piazza della Signoria onde podem admirar uma cópia do David entre outras belíssimas esculturas por ali “à mão de semear” bem como o Palazzo Vecchio (infelizmente não o pude visitar tendo em conta que nesse dia encerrava cedo) seguindo depois pelo Piazzale degli Uffizi onde, mais uma vez, se comprova que Florença é um museu a céu aberto. Daí é um passo até à Ponte Vecchio, ponte ainda construída na época do Império Romano que no entanto sofreu alterações após a sua destruição e reconstrução em meados do séc. XIV. Achei um ambiente fascinante. Deu ainda tempo para tirar umas fotos ao Javali “ex-libris” da cidade, situado no Mercato Nuovo, e sobre o qual recai a lenda que promete um regresso à cidade a quem tocar no focinho do “Porcellino” (o nome do bicho). Podem e devem também dar uma volta às imediações do Mercado de S. Lourenço onde vão encontrar imensas bancas de venda de tecidos, peles (a “especialidade” Fiorentina) e souvenirs.

Já a tarde ia avançada quando me encaminhei para a visita à Galleria degli Uffizi. Esta galeria de arte, foi originalmente pedida por Cosimo I de Medici para albergar os treze principais magistrados (os Uffizi) e, ao longo de 2 séculos foi sendo ampliado e obtendo melhorias que permitiram a abertura ao público das cerca de 50 salas que albergam da melhor arte renascentista. Já de noite deu ainda tempo para deambular pelas mesmas ruas, agora iluminadas e sempre cheias de vida. Um ambiente fantástico. Finalmente, depois do jantar, era hora de apanhar o comboio de volta para Termini.

Tendo em conta o cansaço que já era imenso optámos por não andar até ao Piazzale Michelangelo para assistir a um pôr do sol que dizem lindíssimo. Com mais tempo disponível (mais um dia, pelo menos, como anteriormente referi) teria igualmente sido possível visitar o Palazzo Vecchio, o Palazzo Pitti (ao longo dos anos residência de importantes famílias como os Medici, os Saboia, Bourbon, etc.), subir ao Campanário de Giotto e ver o Museu do Duomo e ainda visitar a Igreja de Santa Maria Novella e a Basílica de Santa Croce. A ideia com que fiquei é que por mais tempo que passemos em Florença nunca nos iríamos fartar… Vale muito a pena a viagem.