La La Óscares ou um desaire à Luz da Lua?

Chegado o grande dia da festa do cinema cumpro também eu a tradição de me manifestar sobre os filmes dos Óscares.

Esta poderá efectivamente ser a noite de La La Land que, com as suas 14 nomeações (ainda que apenas possa ganhar 13 Óscares visto estar duplamente nomeada numa das categorias), leva vantagem sobre os demais. No entanto também todos sabemos que quanto mais alto se chega maior é a queda, o que neste caso se pode traduzir num grande fiasco de poucos Óscares amealhados na contabilização final da noite.

Nas categorias ligadas à música é de prever uma forte predominância com “City of Stars” interpretado por Ryan Gosling a vencer a Melhor Canção Original e também a Melhor Banda Sonora. Na Melhor Fotografia a concorrência é muito cerrada e atrevo-me a dizer que qualquer um pode vencer mas a complexidade na obtenção dos jogos cromáticos com recurso apenas à luz natural é uma mais valia para La La Land.

Lion é também um bom concorrente nesta categoria. Este trata-se de um excelente filme que nos traz a história real de Saroo na busca pela sua familia há muito perdida. Comovente, tocante, uma excelente interpretação de Dev Patel (que pode muito bem valer-lhe o Óscar de Melhor Actor Secundário) uma fantástica interpretação de Sunny Pawar, o pequeno Saroo e para mim o Melhor Argumento Adaptado. Quanto à nomeação para Melhor Filme diria que não traz nada de novo pelo que não justificaria este Óscar, apesar de ser um excelente filme, dos que mais recomendo pelo seu todo.

Voltamos ao La La Land para falar na Mistura e Efeitos Sonoros, outras duas categorias onde pode ganhar ainda que por aqui os meus favoritos sejam Arrival e Hacksaw Ridge.

O Arrival não é um filme fácil, bem pelo contrário. Apesar de ser apresentado nos trailers como um filme sobre aliens o filme não é sobre eles… é sobre nós. É um filme que leva a várias reflexões, nomeadamente sobre o nosso futuro, sobre as escolhas que podemos ou não fazer e sobre comunicação. Pode surpreender na sonoplastia e também na Melhor Fotografia.

Já o Hacksaw Ridge tem as melhores cenas de cenários de guerra ainda que o objecto central seja o soldado Desmond Doss. Dificilmente vencerá o Óscar de Melhor Filme, Melhor Realizador ou mesmo Melhor Actor (apesar da prestação brilhante de Andrew Garfield) mas ao nível da Montagem e Som tem uma palavra forte a dizer.

Falar de Melhor Actor é, para mim, falar de Casey Affleck. Muito se falou de Ryan Gosling e da sua prestação à frente de um piano que não sabia tocar apenas 3 meses antes de gravar a primeira cena ao piano (notável) e da complexidade técnica de um “simples” actor misturar o piano com danças e cantorias. Existe a possibilidade dele ganhar mas para mim este será mesmo o ano de confirmação de Casey Affleck que nos conta a história dramática de Lee Chandler com toda a profundidade necessária da personagem. Há quem diga que se trata apenas de uma pontaria bestial no casting ao escolherem um actor que já habituou a um ar sofrivel. Eu digo que não. Affleck consegue reproduzir na perfeição as variações de humor da história desta personagem. Durante a primeira hora de filme vamos conhecendo a pouco e pouco o Lee Chandler do passado, uma pessoa alegre e divertida que contrasta com um sempre triste, desinteressado, desinteressante e deprimido Lee Chandler de agora, até ao momento em que percebemos os motivos desta radical mudança. É uma prestação absolutamente brilhante num filme que para ser bom teria de ter menos uns 45m.

No que respeita ao Óscar de melhor atriz a minha preferência iria inteirinha para Amy Adams que confere toda a profundidade necessária a Louise em “Arrival”. No entanto, diria que de forma inexplicável, não está no lote de nomeadas. Sem essa opção resta-nos a Emma Stone que, tendo sido uma segunda escolha a par com Ryan Gosling, esteve muito bem no papel desempenhado.

Para o fim deixamos os prémios mais apetecidos mas onde menos surpresa deve haver: Melhor Filme e Melhor Realizador. La La Land deve mesmo arrecadar os dois galardões. Damien Chazelle presenteia-nos com algo de grande complexidade de execusão (como por exemplo os planos que aproveitam a luz natural de fim de dia em LA conseguidos in extremis com janelas de tempo que não iam além dos 30m) e um musical leve, bom de ver mesmo para quem abomina musicais. Já para não falar do toque de Midas que deu ao reduzido orçamento que tinha à disposição, o qual transformou num bom filme com lucros muito apetecíveis.

Além dos já referidos Hacksaw Ridge, Arrival, Lion e Manchester by the Sea a concurso estão ainda bons filmes como Moonlight que toca em temas muito sensíveis como o racismo, toxicodepêndencia e homossexualidade mas ao qual também parece que falta um pouco mais (como no Manchester by the Sea) sendo essa falha colmatada pelo bom desempenho de Mahersala Ali sério candidato a melhor actor secundário a par com Dev Patel. Jeff Bridges desempenha também um bom papel no não menos bom Hell or High Water mas não traz um Jeff Bridged diferente daquilo que estamos habituados. Lucas Hedges também tem um bom arranque mas diria que ainda é cedo.

Se nos actores secundários podem existir dúvidas o mesmo não diria das actrizes já que Viola Davis, já habituada ao papel, transporta para o grande ecrã a sua muito aclamada prestação em palco.

Em resumo: O La La Land chega como muito nomeado mas pode perder em muitas categorias sendo que Arrival pode roubar-lhe algumas e surpreender com Melhor Mistura Sonora, Melhores efeitos sonoros e Melhor Fotografia. Manchester by the Sea também pode ficar com o Melhor Actor e o Argumento Original mas a Melhor Actriz não deve fugir sendo Emma Stone a grande premiada. Damien Chazelle pode ser ultrapassado na recta final por Barry Jenkins ainda que não seja muito provável. O que não deve escapar é mesmo Melhor Filme, Música e Banda Sonora.
Avizinha-se uma sessão com prémios bem distribuídos sendo que será dificil falar num derrotado da noite, a menos que a Academia volte a surpreender e atribua além do Melhor Realizador o prémio de Melhor Filme também a Moonlight, que também não seria completamente descabido.

Semana#15 – Igualdade de géneros dá buraco!

A luta pela igualdade de géneros conheceu esta semana o apogeu mais ridículo que se possa imaginar quando o Bloco de Esquerda apresentou um projecto na Assembleia da República para mudar o nome do Cartão do Cidadão para Cartão da Cidadania, alegando que “Cidadão” por ser do género masculino ofende as mulheres e é discriminatório. Fiquei chocado e sem palavras com tamanha estupidez. Sou acérrimo defensor da igualdade entre homens e mulheres, acho inadmissível os empregos onde um homem ganhe mais do que uma mulher por exemplo, mas levar a luta a este ponto é só parvo. Primeiro digo que é parvo porque é fácil qualquer um de nós pensar em inúmeros temas que merecem muito mais a nossa atenção e as nossas acções, debates verdadeiramente úteis para o desenvolvimento do nosso país. Em segundo lugar, perguntem a todas as mulheres em Portugal se têm algum interesse no nome do Cartão do Cidadão ou outras situações deste género e estou certo que a esmagadora maioria não está minimamente interessada. Acho que cada vez mais se goza com a nossa cara, na nossa cara e nós aplaudimos felizes e contentes sem nos lembrarmos que é do nosso bolso que o dinheiro sai.

Obviamente que poderíamos ainda levar ao extremismo tendo em conta que a Cidadania é do género feminino e eu, enquanto homem, não posso tolerar este tipo de discriminação. Mas para melhor compreender todo este embróglio nada melhor do que espreitar a página do Facebook associada ao blog “Por falar noutra coisa”, aqui.

Outro assunto que continua a mexer: Panamá Papers. No entanto não sei quanto tempo mais isto vai continuar a mexer antes de atingir um ponto de saturação nas nossas cabeças. Eu próprio comecei a ler todos os artigos e agora penso “eh… muito massudo, passo” e corro o risco de até perder algo interessante lá no meio.

São já incontáveis os artigos que gastam linhas e páginas inteiras sempre à roda do mesmo: a empresa x que pertence a y por sua vez pertence a z escondeu não sei quantos milhões de euros em offshores… mas os nomes que vêm a público acho que não são cativantes o suficiente, pelo menos por enquanto. Faltam as prometidas revelações de nomes sonantes e as suas ligações directas às empresas sediadas em offshores. O Expresso esta semana já começou a levantar um pouco o véu estabelecendo uma ligação directa entre as empresas da ES Enterprises (do grupo Espírito Santo) e José Sócrates mas ou se revela mais e melhor no breve prazo ou perde o interesse e esmorece.

Percebo que não se podem levantar falsos testemunhos mas para isso não falem do assunto e rebentem de repente com uma noticia bombástica.
foto que saiu no Jornal Público com pormenor da estrada na baixa com buraco no pavimento em primeiro plano e eléctrico ao fundo
Ir à baixa Lisboeta é uma aventura à altura de um rally Dakar. Esta semana tive que me deslocar à Rua da Madalena tendo como ponto de partida o Parque das Nações. Para fugir ao trânsito segui pela zona da Graça, Voz do Operário, Escolas Gerais, Miradouro de Sta. Luzia e Sé até chegar ao destino. Apesar de bastante comodista e andar de carro para todo o lado dentro de Lisboa e achar que os transportes são estupidamente caros e ineficazes para deslocações sejam elas esporádicas ou frequentes, se tivesse que ir para aquela zona todos os dias claramente ia de transportes caso contrário reduzia a vida do meu carro em mais de metade. Nunca vi tanto buraco junto na vida e a perícia não consistia em fugir dos buracos mas escolher o menos fundo no menor curto espaço de tempo. Se a ideia é afastar os automobilistas da baixa… Parabéns! Estão no caminho certo!

Mas na realidade tudo isso me entristece. Primeiro porque acho que dá uma péssima imagem da nossa cidade numa altura que somos invadidos por turistas. Não vi nada semelhante noutras capitais europeias que já tive a possibilidade de visitar. Segundo, porque cada vez pagamos mais taxas e impostos relacionados com os veículos automóveis (seja na aquisição, nos componentes de manutenção, na gasolina, etc.) e as condições que nos são dadas não são proporcionais. Quem me conhece melhor ou me segue há mais tempo talvez já saiba que sou adepto do principio do utilizador-pagador e aceito pagar Imposto Automóvel, taxas sobre produtos petrolíferos, o Imposto Único de Circulação desde que me sejam dadas condições para usufruir da viatura sobre a qual estou a pagar esses impostos e isso claramente não acontece! Lembro-me por exemplo do dia em que vi a minha viatura bloqueada numa rua também da baixa (sim, estava mal estacionado, com uma roda em cima do passeio) e depois de “arrotar” com o dinheiro da multa quase rebento um pneu numa cratera no caminho para casa… e isso irritou-me de forma épica…

Para mais sobre estes e outros temas (como por exemplo o fim da caminhada europeia do Benfica) sigam o meu canal no Youtube, aqui.

Semana#14 – Panamá sem cultura mas com jóias

A semana amanheceu com o escândalo “Panamá Papers”. Não percebo qual o espanto. Andamos porventura todos cegos? É mais do que lógico, está e sempre esteve à nossa frente que estas coisas se passam! Porque outra razão continuam a existir este tipo de paraísos fiscais? Porque outra razão que não esta os Governos de todos os países não pressionam para o fim deste tipo de lugares? Continuamos todos a ser enganados porque queremos ou porque não dá jeito preocupar ou porque não podemos fazer nada (ou muito pouco) contra isto. Todas as provas estão à nossa frente e depois quando alguém chama a atenção para os casos fazemos todos uma cara de espanto, revoltamo-nos durante uns dias ou umas semanas na melhor das hipóteses, fazemos rolar uma ou duas cabeças de anões e diz-se que o problema está resolvido.
A diferença é que agora há provas? E depois? Meia dúzia de condenações que acabam em multas, para nós pesadíssimas, mas que no bolso de quem andou a prevaricar são “peaners”, eventualmente algumas condenações a penas de prisão que acabam por se arrastar em recursos e quando já ninguém está a olhar cumpre-se um ano ou nem isso e voltam todos cá para fora, para gozar os milhões como se nada fosse… mas o povo é sereno e segue na dança como se a música nunca tivesse parado de tocar.

Post do João Soares, não sobre o Panamá, mas a prometer bofetadas no Facebook

Na ponta oposta da semana fica a demissão do Ministro da Cultura.
Se dúvidas existiam ficou comprovado esta semana que a nossa Cultura não poderia estar pior entregue. Nem sequer é pela “ameaça física” porque até acho que foi mais uma expressão daquelas que se dizem sem pensar no significado. É mesmo pela falta de saber estar, educação, sensatez. António Costa falou bem quando disse que um Ministro não se pode esquecer do cargo que ocupa nem à mesa do café. Tão execrável como o pai, atrevo-me a dizer.

Nem só de João Soares vivem as polémicas mas de Joana Vasconcelos também. A “artista” se assim lhe quisermos chamar disse que levaria na sua “mala de refugiada” as jóias e o iPad e todo o mundo lhe caiu em cima. Mais um caso de gente que fala mais depressa do que pensa. Por um lado eu concordo. Se de repente tivesse que abandonar a minha casa e partir para uma nova vida no desconhecido tentaria levar os valores que me pudessem garantir um recomeço no meu destino ou que me servissem como moeda de troca pelo caminho. Sempre se fez isso, é o lógico a fazer e sempre se fará se tivermos essa possibilidade. E no fundo o problema é mesmo a falta de possibilidades das famílias que abandonam as suas casas e não têm jóias ou dinheiro ou outros valores para levarem consigo. O que a Joana Vasconcelos disse é uma atitude lógica mas eu duvido que ela o tenha dito da forma pensada como eu o fiz agora. Uma gritante falta de sensibilidade, a futilidade em todo o seu esplendor.

No Desporto fiquei boquiaberto com as declarações do Otávio Machado ao DN: “Jogadores do Sporting só vão à seleção se trabalharem mais do que os outros”. Mais uma vez Otávio Machado a demonstrar o quão ridícula pode ser uma pessoa. Já estamos habituados e cansam as teorias da conspiração saídas da boca daquele homem (da boca só, porque cérebro nem vê-lo). Não consigo sequer tecer mais nenhum comentário, tamanha a imbecilidade das declarações.

Para terminar: Slimani. A novela que envolvia a possível suspensão do jogador terminou da forma como, neste momento, eu preferia que tivesse acabado: sem suspensão.
Passados todos estes meses suspender o jogador era dar ao Sporting e aos sportinguistas todos os motivos para abrirem a boca e dizerem ainda mais disparates. Dar-lhes todas as armas para dizerem que o Benfica controla o sistema e foi tudo pensado ao pormenor para privar o Sporting deste importante recurso mesmo no final da temporada quando o campeonato se vai decidir entre Benfica e Sporting.
Acho que estes casos devem ser decididos de forma muito rápida no menor espaço de tempo possível e não percebo como conseguiram arrastar isto durante uns 5 meses. O que estiveram a fazer todo este tempo? A analisar as imagens que o comum dos mortais analisa em 2m? É assim tão difícil reunir um grupo de juris isentos que possam olhar para as imagens e opinarem sobre se é ou não agressão? Pois… o problema está mesmo na isenção se calhar!
Ainda assim, por mais que ela não conte, não me digam que aquilo não é agressão. Felizmente conheço alguns sportinguistas isentos qb e até esses assumiram no momento.

Relembro que podem ouvir a minha opinião sobre estes e outros assuntos na minha página do Youtube, aqui.

Semana#13 – Benfica vs Sporting e a Coreia do Norte

Inicio o artigo com a ordem inversa dos acontecimentos. O Benfica conseguiu na sexta-feira uma vitória bastante folgada contra o Braga. Naquele que se dizia ser o jogo mais difícil até ao final do campeonato o Benfica titubeou no inicio, consentiu uma bola ao poste logo no primeiro minuto mas depois acelerou e cilindrou o Braga com 5 golos. Chateia aquele golinho da treta no final, aquele penalty parvo só para chatear, como os 4-1 do último jogo em casa. É óbvio que o Sporting não podia ficar calado e foi através do Twitter oficial que escreveu “Penalti aos 5-0! A vergonha não tem limites. Nem no dia da verdadeira mentira!”. A meu ver este tipo de situações são disparatadas e tudo aquilo que o futebol não deve ser. Critico o Sporting como criticaria o Benfica se entrasse neste tipo de atitude. Continue reading

Semana#12 – O terrorismo e a gestão de empresas

Durante esta semana li uma notícia no Expresso Diário (o artigo completo é só para assinantes) intitulada “Estado chinês ganha quase €400 mil por dia na EDP” que me fez voltar à memória um assunto que sempre achei interessante: porque é que as empresas quando são do domínio público tendem a dar prejuízo e essa situação inverte-se rapidamente quando passa para mãos dos privados?

Pormenores sobre este e os restantes assuntos podem ser ouvidos aqui (o meu canal no Youtube) mas de forma resumida cá vai. Continue reading