Bullying
por marcoferreira em Mar.09, 2010, categorias: Geral, Sociedade
O caso quase que começa a cair no esquecimento depois de alguns dias de grande destaque nos media nacionais, no entanto é agora que venho pegar nisto, mais por falta de tempo do que por qualquer outro motivo.
É profundamente triste a noticia da morte de uma criança seja em que circunstância for. Torna-se ainda mais grave quando associada a uma situação de violência entre crianças, neste caso violência psicológica acima de tudo.
Parece que este fenómeno, o muito falado bullying, está a alastrar no nosso querido Portugal. E porquê?
Bem, antes de mais não creio que o bullying se esteja, na realidade, a alastrar. É um algo que existe há muitos anos e sem agravamentos, avanços e recuos. É algo que está inerente às crianças e ao seu processo de crescimento e socialização. O que tem mudado, fazendo dessa forma parecer que o fenómeno se alastra, é a mentalidade da sociedade, dos mais velhos. Para melhorar a compreensão quanto a isto nada melhor que a exemplos mais práticos.
De volta aos meus tempos de escola (algures entre a primária e o básico) fui-me deparando com situações idênticas às que se passam hoje, às que se passaram na fatídica escola de Mirandela. No entanto, à altura, em situações de violência psicológica ou até mesmo física entre crianças a situação era prontamente resolvida pelo professor com NO MÍNIMO uma valente reprimenda, algo que fazia o aluno repensar a atitude e habitualmente parar ou suspender a sua actividade. Em casos de reincidência a coisa podia mesmo chegar a um belo “tabefe” (uso esta expressão porque efectivamente me lembro da minha primeira professora a utilizar junto de uma aluna com a ameaça de a mesma levar um par destes caso não parasse com as suas atitudes). E atenção que isto não ficava pela escola. Chegando a casa depois de uma reunião com o professor ou um recadinho na mítica “Caderneta do Aluno”, os pais também tratariam do assunto junto do filho prevaricador.
Actualmente, e infelizmente para essa criança e tantas outras que sofrem do mesmo fenómeno, a situação já não se processa da mesma forma. Os pais da vitima querem agora responsabilizar a escola pelo que não fez. E se tivesse feito. Vejo cada vez menos os professores a terem menos controlo sobre as crianças. Se as expulsam duma aula passam a hora seguinte a preencher formulários, relatórios, etc. já para não falar na reacção do aluno que pode passar por violência para com o próprio professor, queixa aos pais que degeneram em violência contra o professor. Se o professor dá más notas a situação repete-se (e disto tenho casos de pessoas próximas a quem aconteceu). Tocar num aluno? Dar-lhe um belo correctivo à velha maneira? Isso “jamé” porque degeneraria num processo disciplinar ao professor que deixava de dar aulas e uma queixa crime por agressão a um menor, etc etc etc. Então o que poderiam os professores ter feito?
A culpa é nossa, é de todos e da nossa nova mentalidade. Essa sim, e não a reacção e comportamentos das crianças, tem mudado e muito. Deixem a escola e os professores em paz. Lembrem-se deles apenas quando for altura de lhes devolver a competência e poder para realmente educar as crianças. E não me venham com falsos moralismos que “violência fisica não resolve nada, está errado” porque uma boa palmada nunca fez mal a ninguém (sem abusos claro está) e hoje em dia agradeço às valentes palmadas que me foram sendo gentilmente distribuídas por pais e professores (ainda que estes só por uma vez).




March 12th, 2010 on 7:30 pm
No meu (nosso) tempo, os meus pais diziam aos professores/directores de turma, que se fosse preciso, para me darem uma palmada. E só me lembro de levar uma vez, na primária, porque eu e mais de metada da turma ficamos muito tempo, após o recreio ter terminado, a jogar à bola :p Hoje não. Muitas vezes o meu pai (que é prof), chega a casa cansado e desmotivado. Muitas vezes nos diz que tem medo de um dia perder a paciência e dar um tabefe merecido a um aluno. E nesse dia, toda a sua carreira fica arruinada. Que situação é esta onde estamos a educar crianças e adolescentes cada vez mais monopolizadores e tiranos?