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O modelo econométrico aplicado á realidade portuguesa
by marcoferreira on Nov.26, 2009, under Geral, Política
Resolvi escrever este artigo após um estudo superficial sobre modelos econométricos de previsão do voto. Achei curioso fazer uma análise, ainda que também muito superficial, sobre a aplicação deste modelo na actual conjuntura política nacional, especialmente sobre o que eu penso da actualidade.
A eficácia de tal modelo está comprovada por vários anos de prática. Vejamos, por exemplo, o estudo desenvolvido por Pedro Magalhães e Luís Aguiar-Conraria, em Agosto de 2008, para o Instituto de Relações Internacionais e Segurança, que conseguiu prever com maior exactidão os resultados das Legislativas em Portugal no ano seguinte, em comparação com os resultados de várias sondagens realizadas a menos de um mês das mesmas eleições.
Além dum conjunto de variáveis muito grande que, a serem ou não tidas em conta, podem influenciar fortemente o resultado do estudo, este tipo de modelo “estratégico” guia-se por pressupostos que nem sempre estão certos na nossa realidade social actual.
Este modelo assenta em princípios como a antecipação da utilidade da eleição de determinado candidato com base na também antecipação das acções políticas prováveis por parte desse mesmo candidato, entre outros factores (Servais, 1997 : 136). Por outras palavras deveria existir entre os partidos/candidatos e os eleitores uma relação de confiança. Confiança que a acção política decorrente da eleição não vai diferir da promessa em campanha. Confiança que a promessa de não aumentar os impostos será cumprida, que as políticas de emprego passarão à pratica e irão gerar realmente mais postos de trabalho, etc. É neste ponto que começo por discordar porque infelizmente não é isso que tem acontecido, por força das circunstâncias. Prova disto é o índice de confiança nos políticos, de acordo com o estudo realizado pela Reader’s Digest, onde se verifica que esta é a profissão que mereceu maior descrédito pelos portugueses nos últimos 5 anos.
Outro dos pontos fulcrais deste tipo de modelo é o grau de informação com que o eleitor vai fundamentar a sua escolha. Esta, segundo Servais (1997) e Downs (1957), é formada “a partir de um grau de informação limitado e selectivo” também porque “o incentivo para o eleitor se informar é frágil”. Na sociedade de informação onde vivemos essa mesma informação é, sem dúvida, controlada e filtrada, ainda que não a “lápis azul” de qualquer entidade governamental mas pelas forças maiores da máquina politico-partidária. A agravar esta filtragem encontra-se o próprio homem, em geral pouco interessado e predisposto a procurar e encontrar essa mesma informação e, tal como indicado, o incentivo é pouco, como referenciado no parágrafo anterior.
Em suma, a aplicação de modelos econométricos na actualidade política nacional, como forma de prever a tendência de voto dos eleitores, é um método fiável ainda que bastante trabalhoso apoiado em variáveis instáveis e inconstantes. Por outro lado os pressupostos em que nos apoiamos para fazer essa escolha, nomeadamente o facto de a racionalidade da escolha eleitoral ser do mesmo tipo da que usamos numa óptica de satisfação/utilidade, ainda que verdadeira assenta por sua vez noutros principios que actualmente poderão não ser os mais correctos.
Lixo Eleitoral
by marcoferreira on Oct.10, 2009, under Geral, Política
Finalmente está a chegar ao final a saga das eleições. Em apenas um mês, algo muito provavelmente inédito, tivemos duas campanhas eleitorais e elegemos 230 deputados à Assembleia da República mais uma quantidade bastante grande de presidentes de juntas de freguesia, câmaras municipais e assembleias de freguesia.
E destas eleições todas o que fica? Fica aquilo a que eu chamo de Lixo Eleitoral.
Ao olharmos à nossa volta depara-mo-nos muitas vezes com outdoors a poluírem a paisagem, flyers espalhados pelo chão, bandeiras e cartazes aqui e ali, postes cobertos com muitas folhas e pouco conteúdo… tão pouco conteúdo.
Sou contra a colocação de outdoors indiscriminadamente por aí, plantados no meio de jardins, colocados em sítios que muitos dizem ser estratégicos e eu digo serem uma perfeita estupidez. Exemplo disso é uma fonte “pseudo-luminosa” aqui do bairro, apresentada em muitos “cartões de visita” da Freguesia, que desde o inicio da pré-campanha eleitoral para as legislativas deixou de se ver. Eu penso que ela ainda está lá… por trás daqueles outdoors todos.
Infelizmente o cenário piora visto que se não existe qualquer tipo de civismo e bom-senso na colocação destes outdoors existe ainda menos do mesmo quando NÃO SE RETIRAM ou recolhem os materiais.
A publicidade colocada na minha caixa do correio é também algo que me chateia mesmo. Aliás, no decorrer desta semana, tive TODOS OS DIAS flyers, cartas, etc. de quase todos os partidos que concorrem aqui à freguesia e cujos apoiantes certamente não sabem para que serve a caixa de publicidade colocada à porta do prédio ou desconhecem o significado dos autocolantes do Instituto do Consumidor - aqueles que dizem “Publicidade não endereçada, não obrigado!!!” Estive até para seguir algumas ideias e dirigir-me à sede de campanha do partido que mais me importunou com isso e deixar lá tudo de volta ainda atirando umas palavras tipo: “Isto estava na minha caixa do correio. Como não vem em meu nome achei melhor devolver, penso que vos pertence.”
Para amanhã continuarei a falar deste assunto numa outra vertente de publicidade eleitoral em que todos nós contribuímos e pagamos.
Dia de Descanso
by marcoferreira on Sep.26, 2009, under Geral, Política
Hoje, Sábado 26 de Setembro de 2009, estando a um dia das eleições Legislativas, encontra-mo-nos no habitual dia de Reflexão.
Mas reflexão de quê? Vamos todos reflectir quem é menos Salazar? Quem mais diz que não é necessário falar mal do adversário mas logo em seguida esquece esse “pormenor” e… fala mal do adversário? Quem agora defende com unhas e dentes x ou y quando há alguns anos lhe chamava tudo menos santinho?
A política em Portugal está podre e felizmente, cada vez mais, os eleitores se vão apercebendo. Não venho aqui apelar ao voto em branco, muito menos ao absentismo eleitoral, não vou colocar os chavões habituais do tipo “é preciso fazer alguma coisa” ainda que haja a consciência de que é. Venho apenas desabafar.
O Partido Socialista prometeu e não cumpriu. O PSD prometeu e não teria cumprido. O BE, CDU, CDS-PP prometem e certamente não conseguiriam cumprir.
Mas na hora da verdade discute-se quem foi pior enquanto governou mas pouco se fala do que PODEMOS fazer para melhorar o estado de coisas. Todos falam deste “meu país”, “nosso pais”, mas na hora de trabalhar o que está à frente é a “minha vida”, o “meu estatuto”, o “meu futuro daqui a 4 anos” quando se tomam medidas bonitas para garantir o apoio do eleitorado cego. Cego porque não vê isto e cego porque deixa que com essas medidas este Portugal cada vez mais se afunde. Eu compreendo senhores deputados e principalmente senhores candidatos a Primeiros-Ministros e também senhores EX-Primeiros-Ministros, que aumentar os impostos ou diminuir o incentivo a quem fica em casa sem fazer nada ao abrigo dum subsidio de desemprego em vez do incentivo ao trabalho, sejam medidas que certamente não vos serão favoráveis para o futuro, principalmente para quem aspira a um lugar em Belém ou noutros sítios de iguais ou maiores importâncias. Mas muitas delas seriam certamente medidas que nos tirariam do estado em que nos encontramos.
Infelizmente não seria um caminho fácil e muito menos rápido, mas acredito que se realmente fosse o “nosso pais” em vez d’ “a minha carreira” as coisas poderiam ser mais fáceis.
Bem vindos à terra do Salve-se quem puder.



