Acho ridículo o que se anda a fazer em torno da estátua do cónego Melo em Braga. Quer se queira ou não foi uma figura proeminente da cidade e do país.
Temos todo o direito de concordar ou discordar mas nunca vi ninguém subir ao Marquês de Pombal para lhe pintar um DÉSPOTA grande no pedestal. No Rossio nunca vi escrito “traidor” na estátua do D. Pedro IV e ele tirou-nos o Brasil proclamando a sua independência.
É este um dos nossos grandes defeitos: não sabermos respeitar as diferenças, sobretudo as de opinião. Se há figura na política do nosso país de quem não gosto é sem dúvida Mário Soares, ainda assim compreendo perfeitamente no dia em que se lembrarem de lhe fazer uma estátua porque esteve à frente do país, duma forma ou de outra, entre 1976 e 1996. Ainda assim não lhe perdoo o facto, por muitos esquecido, de ter pisado a nossa bandeira durante uma manifestação em Londres corria o ano de 1973.
E curiosamente não esqueçamos também o facto de Mário Soares ter agraciado o Cónego Melo com a comenda da Ordem de Mérito (1988).
Mas afinal quem foi o Cónego Melo?
De seu nome Eduardo de Melo Peixoto, nasceu em Braga (São Lázaro) em Outubro de 1927, filho de um industrial da zona.
Entrou para o seminário de Nossa Senhora da Conceição em 1939 e recebeu a ordenação sacerdotal a 08 de Julho de 1951.
Em 1968, matriculou-se na Faculdade de Direito Canónico de Salamanca, Espanha. Concluiu a licenciatura em 1971 e prestou provas de doutoramento em 1973 defendendo uma tese de História do Direito.
Fundou dois lares para rapazes, Lar Beato Nuno, por onde passaram milhares de estudantes.
Entre outros cargos foi Presidente do Conselho Geral do Sporting Clube de Braga e leccionou no Instituto Superior do Vale do Ave.
Na origem da discórdia estão factos como a sua luta contra a tentativa do PCP de implantar o comunismo em Portugal. Ficou igualmente sempre a pairar a acusação, nunca provada, de envolvimento na morte do padre Max, sacerdote de extrema-esquerda de Vila Real, morto em 1976 em circunstâncias não totalmente claras.



