Semana#11 – Corrupção e a força de vontade

Nicolau Breyner deixou-nos durante a semana. É mais uma daquelas figuras com as quais eu cresci e que agora, com muita pena, vejo partir. Ainda para mais assim… de mansinho, sem avisar.
Foi enorme em tudo aquilo que fez e a ele lhe devemos muito mais daquilo que possamos imaginar.
Mas mais do que palavra o melhor mesmo é ver imagens que sempre ficarão na nossa memória.
Vejam aqui as melhores contribuições desse grande senhor para o panorama televisivo nacional. Das grandes criações às grandes interpretações, passando pelas grandes descobertas de grandes actores. Obrigado Nico!

Protesto dos suinicultores em Lisboa
Na sexta-feira (11.03) suinicultores de vários pontos do país surpreenderam muita gente na capital quando tentaram entupir as principais artérias da cidade, nomeadamente 2ª circular e Eixo N-S. Felizmente a policia actuou de forma rápida para impedir semelhante acto. Continue reading

Semana#10 – UBER, McDonalds e desemprego

Numa altura em que muito se fala na legalidade da UBER no nosso país e a guerra entre taxistas e os motoristas/empresas que trabalham em parceria com a UBER está no apogeu, os taxistas sofrem um duro golpe.
54 taxistas foram (multados/presos) por fraude ao cliente tendo sido apanhados a cobrarem mais do que o suposto. Sejamos sinceros… todos sabemos que muitos taxistas fazem isso, sobretudo aos turistas, deixando uma péssima imagem a quem nos visita. E essa falta de profissionalismo, transparência e no fundo falta de carácter por parte de uma boa dose de taxistas é o que me faz ser defensor da plataforma UBER.

Através da plataforma nada podia ser mais transparente. Conseguimos ver em tempo real onde se encontra o carro que nos vai transportar, calcular o valor aproximado da viagem e nem precisamos de nos preocupar com o pagamento porque o mesmo é feito automaticamente por débito do cartão. Adicionando a isto ainda podemos consultar a pontuação do nosso motorista e avaliá-lo nós próprios. Continue reading

Semana#9 – Trump e a eutanásia

Lá fora tudo na mesma. Trump soma e segue. Foi o grande vencedor a par da Hillary Clinton, cada um do seu lado da barricada, na super terça-feira e ontem voltou a vencer. O caso torna-se sério e a sua nomeação está praticamente garantida. Resta-nos duas consolações:
1º tanto Hillary Clinton como Bernie Sanders estão à frente nas sondagens contra Trump; 2º enquanto Presidente estou certo que Donald Trump seria muito mais moderado em relação àquilo que tem mostrado.
Em Espanha falharam os primeiros acordos para formação de um Governo e praticamente garantidas estão também novas eleições legislativas. Será que vão servir para ultrapassar o impasse ou pelo contrário criarão um cenário ainda mais dificil?

Mas os meus destaques desta semana ficam por cá.

Na Assembleia Regional da Madeira o deputado José Manuel Coelho voltou a fazer das dele. Desta vez, em protesto contra a penhora de que está a ser alvo, resolveu despir-se e entregar a roupa quase toda (ficou de boxers, graças a qualquer entidade divina superior) ao Presidente da Assembleia Regional. Continue reading

Semana#8 – Especial Óscares

Ainda que o destaque de hoje vá para a cerimónia de entrega dos Óscares que vai decorrer já nesta madrugada não posso deixar de referir dois assuntos que aqui tenho acompanhado e algo que ouvi esta semana e me tirou do sério:

– em Espanha continua o impasse negocial para a formação de Governo. Durante esta semana esboçou-se um acordo entre PSOE e Podemos mas o PP e o Ciudadanos uniram-se imediatamente contra. O tempo começa a escassear e o cenário de novas eleições é cada vez mais real;

– Donald Trump soma e segue nas primárias e a coisa torna-se séria. Ainda que tenha a certeza que enquanto Presidente ele seria muito mais moderado do que tem sido, a coisa não está para grandes brincadeiras;

– Ricardo Salgado comentou os resultados do Novo Banco dizendo que a culpa é do BdP e que as pessoas tinham mais confiança no BES. Sim, tem razão, efectivamente as pessoas tinham mais confiança no BES até perceberem o que por lá se passava e do mesmo ter aberto falência deixando muita gente sem as poupanças de uma vida.

Passando então ao tema central, vamos falar de filmes e começamos pelos candidatos ao Óscar de Melhor Filme. Continue reading

Semana#7 – prisão, estádios vazios e o futuro da UE

Devem os pais ser punidos com penas de prisão quando, pelo seu descuido, colocam os filhos em perigo? E qual o futuro que podemos esperar para a nossa Europa? E os Sportinguistas são mesmo os melhores adeptos da Europa? São estas questões que serão respondidas nos parágrafos que se seguem.

O orçamento de estado ainda vai fazer correr muita tinta. Ainda assim o António Costa pode dar-se por contente se for apenas tinta e se não fizer também correr com ele de São Bento para fora. Por um lado a Comissão Europeia continua a pedir um plano B que invariavelmente vai assentar em mais austeridade. Por outro, no plano interno, os parceiros da “Geringonça”, clamam por mais medidas de defesa do estado social… A ver vamos.

Mas infelizmente o destaque vai para temas bem mais delicados e importantes.
O dia de hoje começou com a trágica noticia de uma criança de 5 anos que caiu do 21º andar de um prédio em Lisboa enquanto os pais estavam no casino. Os mesmos foram já detidos. E no meio da dor uma questão se levanta: devem estes pais ser condenados a penas de prisão?
Para mim é certo que devem ser responsabilizados e a primeira medida tem ser a retirada de forma imediata e definitiva da guarda de crianças que tenham aos seus cuidados.

O facto de estes casos merecerem ou não prisão efectiva vai depender essencialmente da nossa forma de ver as coisas: deve ser uma forma de punir apenas aos olhos de quem foi o prejudicado com os danos causados ou perante toda a sociedade? Para quem existiu dolo? Foi propositado ou acidental?

Enquanto que nos casos habituais de homicídios premeditados a pena de prisão seja óbvia (a prisão visa punir o prevaricador na tentativa de prevenir situações idênticas no futuro ao mesmo tempo que o castiga também aos olhos de quem sofreu com o mal causado) no caso em apreço podemos dizer que não existiu dolo maior do que para a própria criança e para os pais (mesmo que existam outros familiares nenhum deles sofrerá tanto como os pais). Ora, não tendo sido um crime propositado, a pena de prisão não me parece que vá repôr a normalidade e bem estar a ninguém. Repito que por mais penas de prisão a que seja submetidos um pai que perca um filho por negligência própria nunca será punido de forma mais dolorosa que a sua própria dor.

Depois temos outro dos casos que abalou o nosso país logo no inicio da semana com a noticia de uma mãe que, em aparente desespero, se lançou de noite às águas de um rio gelado com duas crianças pequenas. A mãe sobreviveu, as crianças infelizmente não tiveram essa sorte. Neste caso, tendo em conta a premeditação da situação e independemente das causas que levaram a mãe a tal acto de aparente desespero não me parece que seja de passar incólume. A dor de uma mãe que mata, nem que seja por piedade como é alegado, um filho não será a mesma que uma mãe que o mata por negligência com a agravante de deixar um pai e restante familia.

E isto ainda nos leva a outra questão que é a da acusação levantada pela própria mãe contra o pai das crianças. Hoje em dia é extremamente fácil sujar a reputação de alguém acusando-o de violação, abusos a crianças, assédio, etc. Mesmo que nada venha a ficar provado contra o acusado o mesmo nunca se livrará desse rótulo e da desconfiança. Mecanismos de defesa contra isto? Infelizmente não há e qualquer um está sujeito a tal… basta que alguém se lembre!

Brexit
Não tendo existido primárias nos EUA o foco voltou-se para a ameaça do Brexit.
Na altura em que este artigo está a ser redigido (sexta-feira) ainda está por decidir o futuro da Grã-bretanha no que respeita ao projecto europeu, O Primeiro Ministro, David Cameron, faz exigências perigosas que levam a que estados membros tenham direitos diferentes como por eemplo o “periodo de carência” que quer implementar a quem é membro há menos de 4 anos ou o facto de poder interferir no futuro da moeda única com direito de veto sobre algumas medidas sem que no entanto o inverso se aplique. Isto para não referir as medidas de excepção que devem passar a vigorar exclusivamente na Grã-Bretanha.

A meu ver há já pouco futuro para a União Europeia.
Qualquer uma destas medidas ao serem aceites (e serão certamente com um ou outro ajuste) abalam, de forma que pode muito bem ser irremediável, as pedras basilares do projecto Europeu. No entanto a própria saída provocada de forma unilateral pelos britânicos colocará também em cheque a unidade no seio da instituição.

A juntar ao embróglio do Brexit não podemos esquecer os últimos tempos conturbados no que toca à desafinação completa dos vários países que, qual orquestra sem maestro, tocam cada um por si e para o seu lado conforme lhes dá jeito. A crise crescente da moeda única tem demonstrado as fragilidades da união monetária que é, ainda assim, o elo mais forte que vai juntando os vários estados membros a União Europeia. À parte isso a crise dos refugiados e a suspensão dos acordos de livre circulação de pessoas e bens, feita de forma unilateral por vários países, mostra bem a desunião reinante. Quo Vadis Europa? Não muito longe arrisco-me a dizer.

Desporto
Durante esta semana foi divulgado o resultado de uma votação para determinar quais os melhores adeptos da Europa. Não é apenas enquanto Benfiquista que me vejo obrigado a duvidar da veracidade de tal votação. A começar pelo facto de este tipo de votação ser facilmente influenciável basta olharmos para trás e vermos as assistências aos jogos. E para não dizerem que comparamos o incomparável vamos olhar para os últimos jogos do Benfica nos 1/16 em diante, na Liga Europa.

Retenham esta informação: no jogo da passada quinta-feira deslocaram-se ao Alvalade XXI cerca de 27.000 adeptos para o jogo dos dezasseis-avos da Liga Europa contra o Bayern Leverkusen.

Dois dias antes o Benfica recebeu o Zenit com uma assistência de 48 mil adeptos mas tal como prometi vamos focar na Liga Europa. Ora bem, acontece então que em 2014 o Benfica recebeu na mesma fase da competição o PAOK (uma equipa que eu penso que todos estarão de acordo em afirmar inferior ao Leverkusen) e mesmo assim conseguiu ter mais 4 mil adeptos no Estádio da Luz. Daí até à final de má memória os números foram engrossando até atingirem os 55 mil adeptos na meia-final… algo que o Estádio Alvalade XXI nem sequer suporta.

Eu prometo que já voltamos à Liga Europa mas permitam-me fazer um pequeno desvio para dizer que no último jogo desse campeonato de má memória. numa altura em que era praticamente impossível sermos campeões, o Benfica teve no Estádio da Luz 51 mil almas a assistir ao jogo (enquanto noutro estádio o Porto se sagrava campeão). No primeiro jogo do campeonato seguinte à época do “quase ganhámos tudo” conseguimos ter no estádio 37 mil espectadores.

Mas o mais engraçado, voltando então como prometido à Liga Europa, acontece na época de 2012/2013 precisamente nos dezasseis avos de final em que o Benfica leva 37 mil à Luz num jogo contra… o Leverkusen. Mais dez mil adeptos para ver exactamente a mesma equipa adversária, exactamente na mesma fase da competição. Melhores adeptos da Europa? A puxar pela equipa no sofá e a lançar farpas no Facebook?! Poupem-me!!!

Para a semana apresentarei um “Especial Óscares” com a minha opinião sobre os filmes e actores nomeados para as principais categorias!