Semana#11 – Corrupção e a força de vontade

Nicolau Breyner deixou-nos durante a semana. É mais uma daquelas figuras com as quais eu cresci e que agora, com muita pena, vejo partir. Ainda para mais assim… de mansinho, sem avisar.
Foi enorme em tudo aquilo que fez e a ele lhe devemos muito mais daquilo que possamos imaginar.
Mas mais do que palavra o melhor mesmo é ver imagens que sempre ficarão na nossa memória.
Vejam aqui as melhores contribuições desse grande senhor para o panorama televisivo nacional. Das grandes criações às grandes interpretações, passando pelas grandes descobertas de grandes actores. Obrigado Nico!

Protesto dos suinicultores em Lisboa
Na sexta-feira (11.03) suinicultores de vários pontos do país surpreenderam muita gente na capital quando tentaram entupir as principais artérias da cidade, nomeadamente 2ª circular e Eixo N-S. Felizmente a policia actuou de forma rápida para impedir semelhante acto.

Compreendo os motivos que levam a esta situação. Importamos muitos produtos e o produto nacional acaba muitas vezes sem escoamento. Não consigo no entanto concordar com qualquer tipo de manifestação que tenha um forte impacto para toda a restante população. E certamente este iria ser o caso.
Imagino-me numa sexta-feira, depois de uma semana de trabalho, estar no meu caminho merecido para o descanso e me deparar com estradas completamente bloqueadas que me fariam ficar largas dezenas de minutos parado no meio do trânsito sem hipótese de chegar a casa. Por mais simpatia que a luta dos suinicultores me desperte, por mais que compreenda a sua situação, garantidamente o meu apoio iria cair por terra. E como o meu o de muita gente também. Não concordo com nenhuma forma de protesto que impacte de forma tão forte na vida de quem não tem culpa.
Por exemplo, as constantes greves do metro. Façam greve de zelo, por exemplo. Abram as cancelas e deixem toda a gente entrar sem pagar (o impacto não é tão forte porque a maioria tem passe) mas seria um dia remunerado em que a companhia teria um prejuízo efectivo (esteve a laborar sem retorno financeiro). Agora… ficar em casa sem trabalhar para que eu, que até posso apoiar as reivindicações de melhores condições, não consiga chegar ao trabalho? Não aceito!

Os tentáculos da corrupção no Brasil
O problema não é novo e muita tinta vai correr sobre o caso Lava-Jacto e a participação da Dilma Rousseff e do Lula da Silva. A imagem que fica deste golpe palaciano para tentar safar o ex-Presidente Lula da Silva da investigação e possível prisão é mesmo bastante má!
Mas serão eles os únicos corruptos nesta trama política? Claro que não. Acho que está claro para todos que é também a corrupção que os tenta tirar de lá. Corrupção dos juízes num país com enorme historial de corrupção. Para compreender esta problemática há vários filmes que podem ver mas eu aconselho sobretudo o Tropa de Elite (tanto o 1 como o 2).
Existe corrupção em todos os países do mundo, no Brasil ela é apenas mais notória e de tal ordem que consegue bloquear por completo todo o sistema político com as repercussões que acaba por ter no sector económico. Durante muitos anos vimos um fluxo de migração do Brasil para Portugal e foi curiosamente no tempo de Lula da Silva que assistimos à inversão desse mesmo fluxo. A diferença? Eu diria que aparentemente a corrupção decresceu (e note-se o “aparentemente”) e tanto a economia como a sociedade se ressentiram positivamente. O ânimo da classe trabalhadora que se revia na imagem de sucesso e ascensão do então Presidente Lula da Silva, impulsionaram a economia. Acontece que isso não iria durar para sempre. Há favores que têm que ser pagos, muitas contas para ajustar e… tudo volta à cepa torta.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos deste misto interessante de série Norte-Americana com as novelas que os brasileiros tão bem fazem.

post do júlio césar com foto abraçado ao presidente Luís Filipe Vieira
Os quartos
O Benfica começou a semana com uma vitória relativamente fácil e termina a semana a saber que vai jogar com uma das mais fortes equipas da Europa. Não diria a segunda mais forte porque entre Barcelona e Bayern de Munique venha o diabo e escolha. O Benfica era a rapariga jeitosa que todos queriam agarrar… e de todos, alguns aparentemente menos fortes, tinha que nos calhar este. Não tenho obviamente qualquer esperança em ultrapassar o todo poderoso Bayern.
Mas, para mim, o assunto da semana vem mais uma vez de fora das quatro linhas e foi exactamente junto dessas que o Júlio César deu uma das duas respostas muito acima daquilo que merece um sujeito do Sporting chamado Augusto Inácio. Para quem não sabe o Inácio foi mais uma vez Inácio e alegou que o Júlio César só não jogava porque estava “encostado” pelo presidente do Benfica por não querer renovar o contrato que o liga ao Benfica. “Quem? Inácio? Não conheço!” foi a resposta de Júlio César. E depois ainda ilustrou o seu encostanço com o post que se vê acima.
Isto faz-me repensar a importância crescente que os media têm tido na escalada de tensão entre clubes, sobretudo entre Sporting e Benfica. Entre tantos programas em tantos canais, todos eles com uma quantidade incrível de pseudo-comentadores desportivos que pouco mais fazem e sabem fazer do que atiçar o fogo de uma fogueira já bastante grande com a sua verborreia mental (e digo isto de todas as partes, sejam Benfiquistas, Sportinguistas ou Portistas) só me faz ter saudades do tempo em que havia o Domingo Desportivo à noite na RTP 1 em que se viam os resumos de todos os jogos e os entendidos no assunto (uns mais que outros) analisavam jogos, jogadas e alguns lances mais polémicos e quando se falava apenas dos 90m de jogo e não de uma semana inteira de tretas passadas fora das quatro linhas. Ó tempo volta para trás…

O verdadeiro CAMPEÃO
Fiquei a saber através da Rádio Comercial que o novo campeão nacional de corta mato é tudo menos atleta profissional. Ou será ele o mais profissional deles todos?
A história é simples: o novo campeão nacional de corta-mato trabalha num hipermercado, treina nas horas de refeição ou de madrugada antes do trabalho, apanhou a camioneta de Almada para a Aldeia das Açoteias, calçou os seus ténis de estrada para fazer o corta-mato e… ganhou! Ultrapassou os atletas federados de todos os clubes que treinam diariamente e que, como profissionais que são, ganham para isso e venceu!!! Um enorme exemplo de força de vontade e todos devíamos aprender com isso.
Em 2005 estagiei no Comité Olímpico de Portugal e o bichinho dos vários desportos olímpicos cresceu fortemente e desde então acompanho ainda mais os atletas portugueses em competição e partilho as suas dores quanto à falta de apoios do Estado. Ainda assim acho que todos, a começar por eles, devíamos pôr os olhos no Nelson Cruz e trabalharmos ainda mais se queremos vencer.
Ainda assim não deixo de apoiar os nossos atletas olímpicos e digo que o desporto em Portugal é muito pouco apoiado. Penso que ainda existe o Desporto Escolar (eu participei no secundário) mas sinceramente parece-me um projecto muito, mas mesmo muito, ténue e que merecia um destaque completamente diferente para bem de todos. Os grandes campeões nos outros países, sobretudo EUA e Rússia, não aparecem por acaso! Aparecem por talento, por trabalho, mas também muito por causa do investimento do Estado para dar as devidas condições de trabalho. O Nélson Cruz ensinou-nos esta semana que isso não é tudo… mas é muito já!

Não se esqueçam que está também disponível uma versão aúdio com alguns destes temas desenvolvidos com outro pormenor aqui.

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