Semana#12 – O terrorismo e a gestão de empresas

Durante esta semana li uma notícia no Expresso Diário (o artigo completo é só para assinantes) intitulada “Estado chinês ganha quase €400 mil por dia na EDP” que me fez voltar à memória um assunto que sempre achei interessante: porque é que as empresas quando são do domínio público tendem a dar prejuízo e essa situação inverte-se rapidamente quando passa para mãos dos privados?

Pormenores sobre este e os restantes assuntos podem ser ouvidos aqui (o meu canal no Youtube) mas de forma resumida cá vai.

Na realidade a explicação é bastante simples resumindo-se a dois pontos: origem do dinheiro e finalidade da gestão. Uma empresa pública apenas está ameaçada pela falência no ponto em que o Estado assim o pretende. Olhemos por exemplo para o caso da Caixa Geral de Depósitos que tem vindo a ser intervencionada com constantes injecções de capital e ainda assim, apesar dos lucros escassos ou inexistentes, continua a pagar prémios de gestão à Administração do banco. E quem diz a CGD diz tantas outras empresas da esfera pública onde se gastam milhares de euros em prémios de gestão acabando por se premiar uma gestão ruinosa dessas mesmas empresas. Já no caso das empresas de capital privado uma injecção de capital só é feita caso exista evidência duma gestão orientada para o lucro e boas possibilidades disso vir a ocorrer. Uma empresa privada lida diariamente com concorrência forte e por vezes desleal e a ameaça de falência sempre presente. Uma conclusão simples: gestores de empresas públicas gerem dinheiro de todos nós sem a preocupação da responsabilização que pode advir de maus resultados apresentados. Se me pagarem o mesmo independentemente do fruto do meu trabalho existe uma muito maior probabilidade de eu não me interessar pelos resultados finais.

Na terça-feira acordámos mais uma vez para a dura realidade cada vez mais presente na nossa Europa. Era cedo e as noticias ainda escassas quando li sobre duas explosões em Bruxelas, quando ainda não se sabia bem o que se tinha passado, estava passar ou… poderia vir a passar. Tal como uns meses antes em Paris ou em 2001 em Nova Iorque. Apesar do terror e do sentimento que fica de que, um dia, podemos ser nós, fica também a ideia de que muito podíamos ter feito para evitar chegar a este ponto. Ou daquilo que nunca deveríamos ter feito.
bandeira belga com inscrição

Apesar de sempre terem tido a vontade de reconquistar o Al-Andaluz e reforçar o islamismo no mundo a verdade é que a civilização árabe que habitou a nossa Península Ibérica não é hoje mais do que uma memória muito ténue daquilo que foi outrora. Por mais vontade que existisse faltavam os meios. E esses, quer queiramos quer não, fomos nós que fornecemos. O Ocidente não só conseguiu reforçar-lhes os motivos para tal como lhes deu o “como”.
Fomos nós que os armámos, fomos nós os criadores de personagens como Bin Laden ou Saddam Hussein, para controlar a zona e combater as supostas ameaças, controlar o acesso ao petróleo e a mercados no Oriente. Infelizmente, e sendo que sempre existiu a vontade, o dinheiro que nós lá injectámos e as armas que oferecemos de forma directa ou indirecta fizeram com que as nossas criações se revelassem verdadeiramente. Na posse de dinheiro e poder começaram a sua luta e aos poucos conseguiram-na trazer para o nosso quintal!

Para ajudar encontraram na Bélgica o local ideal para desenvolverem as suas células terroristas e calmamente desenvolver todo o tipo de planos e material, uma excelente base aqui na Europa. A Bélgica, apesar de ser um país desenvolvido e com bons índices de qualidade de vida, é um estado bastante disfuncional. A polícia é completamente descoordenada dos serviços de informação e como tal é um paraíso para extremistas árabes, “simples” traficantes de armas e bandidos de todo o tipo. Era, pelo menos até agora, o lugar ideal para manter bases terroristas tendo em conta a ineficácia policial, a centralidade na Europa e a sua aparência de se encontrar fora do mapa do terrorismo estando contudo no meio dele.

Para terminar o tema do terrorismo resta-me a pergunta: porque é que não fomos todos Istambul como fomos Paris ou somos agora Bruxelas? Ouvi várias pessoas dizerem “porque é um problema deles!” ou “porque estão no centro do conflito e foi por lá que tudo começou!”. E nós? Não estamos igualmente ou até mais metidos que eles? E mesmo sendo algo deles… Quando a ETA matava em Espanha não tinhamos todos muita pena é ficávamos abalados? Qual a diferença?

No plano desportivo ficámos esta semana mais pobres. Deixou-nos aos 68 anos Johan Cruyff. Muitos não gostavam dele, sobretudo depois das fortes críticas ao “nosso” José Mourinho. Ainda assim há que realçar as qualidades técnicas não só enquanto futebolista e treinador mas enquanto grande pensador que foi e das inovações que trouxe ao desporto-rei. Ao contrário de um Eusébio, Pelé ou Maradona, entre tantos outros, Cruyff primava pela inteligência e foi muito mais que um jogador e o mundo agradece-lhe o futebol que temos hoje.

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