Semana#8 – Especial Óscares

Ainda que o destaque de hoje vá para a cerimónia de entrega dos Óscares que vai decorrer já nesta madrugada não posso deixar de referir dois assuntos que aqui tenho acompanhado e algo que ouvi esta semana e me tirou do sério:

– em Espanha continua o impasse negocial para a formação de Governo. Durante esta semana esboçou-se um acordo entre PSOE e Podemos mas o PP e o Ciudadanos uniram-se imediatamente contra. O tempo começa a escassear e o cenário de novas eleições é cada vez mais real;

– Donald Trump soma e segue nas primárias e a coisa torna-se séria. Ainda que tenha a certeza que enquanto Presidente ele seria muito mais moderado do que tem sido, a coisa não está para grandes brincadeiras;

– Ricardo Salgado comentou os resultados do Novo Banco dizendo que a culpa é do BdP e que as pessoas tinham mais confiança no BES. Sim, tem razão, efectivamente as pessoas tinham mais confiança no BES até perceberem o que por lá se passava e do mesmo ter aberto falência deixando muita gente sem as poupanças de uma vida.

Passando então ao tema central, vamos falar de filmes e começamos pelos candidatos ao Óscar de Melhor Filme.

The Martian
Foi o primeiro de todos os filmes nomeados para Melhor Filme que eu vi e estava longe de imaginar que seria um dos nomeados. O filme não é mau, longe disso, mas não me parece o tipo habitual de vencedor de Óscar. Pela sua complexidade (ou falta dela) diria que é o parente pobre de todos os nomeados, talvez a par do Bridge of Spies. Um tipo que ficou esquecido em Marte, todos os esforços desenvolvidos para o ir resgatar e o dia a dia num planeta inóspito dá certamente um excelente argumento e o nível a que já nos habituou o Matt Damon dá-nos todos os ingredientes para um bom filme, mas não daquele tipo que costuma ganhar um Óscar.

The Revenant
Muito se falou acerca deste filme (é o mais nomeado e o favorito a melhor filme) mas sinceramente a mim decepcionou em muitos níveis. Fará muito provavelmente, de forma bastante merecida, render o Óscar de Melhor Realizador ao Iñarritu pelas excelentes sequências de imagens, os planos arrojados sobretudo em movimento, estou absolutamente rendido a esse nível. Mas de resto é extremamente longo, bastante parado em muitos momentos, o argumento não passa do aceitável e por isso, para mim, está muito longe de merecer o galardão para Melhor Filme. Esperava muito mais quando o vi.

Bridge os Spies
Só a influência do Tom Hanks nos meandros de Hollywood explicam que este filme esteja nomeado para Melhor Filme. É bom mas sinceramente é apenas mais um, igual a muitos outros. Não acrescenta valor algum, muito banal. A anos luz de Saving Private Ryan, Philadelphia ou o incomparável Forest Gump, entre muitos outros.

Spotlight
Um elenco muito bom e coeso ainda que sem as grandes estrelas de Hollywood. Depois de Birdman, Keaton está de volta e a um bom nível. Não consigo perceber como não o aproveitaram durante tantos anos. Mark Ruffalo está um bocadinho menos verde e agressivo e encarna muito bem o papel do luso-descendente que foi peça central na investigação dos abusos sexuais a crianças por parte de padres católicos.

The Big Short
Gostei imenso do filme pela forma como nos explica o inicio da crise (o sub-prime, etc.), a forma como surgiu e se desenvolveu, misturando bem os conceitos técnicos e a sua tradução para uma linguagem mais próxima do comum dos mortais. No entanto pode tornar-se demasiado pesado e não muito próprio para quem simplesmente não se quiser inteirar do tema. Ainda assim, pelo argumento, a boa realização e a forma como o tema central é desenvolvido merece sem dúvida a sua presença na galeria dos melhores filmes de 2015.

De resto, tanto o Brooklyn como o Room são bastante interessantes, têm desempenhos por parte dos intervenientes bastante bons e histórias interessantes mas, para vencer nesta categoria não me cativaram por aí além. Especial atenção para o Room não só pela temática mas sobretudo pelo desempenho da Brie Larson que salta do quase anonimato para o estrelato e sairá quase certamente do Dolby Theatre com a estatueta dourada atribuída à Melhor Actriz.

Na categoria de Melhor Actor Principal estão nomeados Bryan Cranston (Trumbo), Matt Damon (The Martian), Leonardo DiCaprio (The Revenant), Michael Fassbender (Steve Jobs) e Eddie Redmayne (The Danish Girl).

Bryan Cranston fez um Walter White excelente no Breaking Bad e esteve também muito bem como Trumbo mas para ganhar o Óscar de melhor actor há que fazer mais, sobretudo quando a personagem não é imaginaria mas sim uma pessoa que efectivamente existiu. Há que estudar essa pessoa, as expressões corporais, forma de falar, etc e não considero que o Cranston tenha estado muito bem nesse nível. Desempenhou bem as suas funções e merece figurar nesta lista mas para ganhar o Óscar deveria ter feito muito mais.

O meu favorito é sem sombra de dúvidas o Eddie Redmayne que se arrisca aqui a vencer pelo segundo ano consecutivo o Óscar de Melhor Actor Principal, igualando o Tom Hanks quando em 1994 e 1995 ele ganhou com Philadelphia e Forest Gump. Apesar de as suas feições e o corpo franzino ajudarem a que a personagem lhe assentem que nem uma luva, Redmayne vai mais além. O filme em si não me fascinou mas vale cada minuto pela performance brutal do actor principal e também da actriz que o acompanha, Alicia Vikander que está também num patamar superior às suas rivais na categoria de Melhor Atriz Secundária.

Depois temos o eterno candidato ao Óscar de Melhor Actor Principal… Leonardo DiCaprio. Tendo em conta toda a pressão e mediatismo em torno das constantes nomeações que não se traduzem em estatueta, diria que é muito provável que seja este o ano dele. Não é completamente imerecido mas ainda assim não tenho a mais pequena sombra de dúvida de que leva o Óscar na interpretação menos boa de todas as que se apresentaram a concurso (e até algumas que não foram nomeadas). Tanto em The Aviator, Blood Diamond e sobretudo The Wolf of Wall Street o prémio seria muito mais merecido do que em The Revenant.

Por último os Melhores Actores Secundários: Mark Ruffalo (Spotlight), Stalone (Creed), Tom Hardy (The Revenant), Mark Rylance (The Bridge os Spies) e Christian Bale (The Big Short).
Esta é a categoria onde tenho mais dúvidas sobre quem ganhará e quem eu gostava que ganhasse. Qualquer um deles está muito bem sem que um se destaque mais que outro, atrevo-me a dizer. Tenho pena que o Mark Rylance não tenha tido mais “tempo de antena” para brilhar porque esteve muitíssimo bem, talvez o meu favorito. Tom Hardy para mim está melhor que o Leonardo DiCaprio e se estivessem os dois na mesma categoria mais depressa dava o Óscar ao Tom Hardy do que ao Leonardo DiCaprio. Stalone está de volta a um dos papéis que mais o catapultou para a ribalta mas desta vez sendo a personagem secundária… Rocky Balboa está de volta e ainda não lhe perdeu o jeito, também gostava de o ver ganhar o Óscar.

Resta-nos esperar… está quase a começar.

(podem ouvir mais na minha crítica no formato áudio em https://www.youtube.com/watch?v=OG-nlBRrIkE)

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