Semana#15 – Igualdade de géneros dá buraco!

A luta pela igualdade de géneros conheceu esta semana o apogeu mais ridículo que se possa imaginar quando o Bloco de Esquerda apresentou um projecto na Assembleia da República para mudar o nome do Cartão do Cidadão para Cartão da Cidadania, alegando que “Cidadão” por ser do género masculino ofende as mulheres e é discriminatório. Fiquei chocado e sem palavras com tamanha estupidez. Sou acérrimo defensor da igualdade entre homens e mulheres, acho inadmissível os empregos onde um homem ganhe mais do que uma mulher por exemplo, mas levar a luta a este ponto é só parvo. Primeiro digo que é parvo porque é fácil qualquer um de nós pensar em inúmeros temas que merecem muito mais a nossa atenção e as nossas acções, debates verdadeiramente úteis para o desenvolvimento do nosso país. Em segundo lugar, perguntem a todas as mulheres em Portugal se têm algum interesse no nome do Cartão do Cidadão ou outras situações deste género e estou certo que a esmagadora maioria não está minimamente interessada. Acho que cada vez mais se goza com a nossa cara, na nossa cara e nós aplaudimos felizes e contentes sem nos lembrarmos que é do nosso bolso que o dinheiro sai.

Obviamente que poderíamos ainda levar ao extremismo tendo em conta que a Cidadania é do género feminino e eu, enquanto homem, não posso tolerar este tipo de discriminação. Mas para melhor compreender todo este embróglio nada melhor do que espreitar a página do Facebook associada ao blog “Por falar noutra coisa”, aqui.

Outro assunto que continua a mexer: Panamá Papers. No entanto não sei quanto tempo mais isto vai continuar a mexer antes de atingir um ponto de saturação nas nossas cabeças. Eu próprio comecei a ler todos os artigos e agora penso “eh… muito massudo, passo” e corro o risco de até perder algo interessante lá no meio.

São já incontáveis os artigos que gastam linhas e páginas inteiras sempre à roda do mesmo: a empresa x que pertence a y por sua vez pertence a z escondeu não sei quantos milhões de euros em offshores… mas os nomes que vêm a público acho que não são cativantes o suficiente, pelo menos por enquanto. Faltam as prometidas revelações de nomes sonantes e as suas ligações directas às empresas sediadas em offshores. O Expresso esta semana já começou a levantar um pouco o véu estabelecendo uma ligação directa entre as empresas da ES Enterprises (do grupo Espírito Santo) e José Sócrates mas ou se revela mais e melhor no breve prazo ou perde o interesse e esmorece.

Percebo que não se podem levantar falsos testemunhos mas para isso não falem do assunto e rebentem de repente com uma noticia bombástica.
foto que saiu no Jornal Público com pormenor da estrada na baixa com buraco no pavimento em primeiro plano e eléctrico ao fundo
Ir à baixa Lisboeta é uma aventura à altura de um rally Dakar. Esta semana tive que me deslocar à Rua da Madalena tendo como ponto de partida o Parque das Nações. Para fugir ao trânsito segui pela zona da Graça, Voz do Operário, Escolas Gerais, Miradouro de Sta. Luzia e Sé até chegar ao destino. Apesar de bastante comodista e andar de carro para todo o lado dentro de Lisboa e achar que os transportes são estupidamente caros e ineficazes para deslocações sejam elas esporádicas ou frequentes, se tivesse que ir para aquela zona todos os dias claramente ia de transportes caso contrário reduzia a vida do meu carro em mais de metade. Nunca vi tanto buraco junto na vida e a perícia não consistia em fugir dos buracos mas escolher o menos fundo no menor curto espaço de tempo. Se a ideia é afastar os automobilistas da baixa… Parabéns! Estão no caminho certo!

Mas na realidade tudo isso me entristece. Primeiro porque acho que dá uma péssima imagem da nossa cidade numa altura que somos invadidos por turistas. Não vi nada semelhante noutras capitais europeias que já tive a possibilidade de visitar. Segundo, porque cada vez pagamos mais taxas e impostos relacionados com os veículos automóveis (seja na aquisição, nos componentes de manutenção, na gasolina, etc.) e as condições que nos são dadas não são proporcionais. Quem me conhece melhor ou me segue há mais tempo talvez já saiba que sou adepto do principio do utilizador-pagador e aceito pagar Imposto Automóvel, taxas sobre produtos petrolíferos, o Imposto Único de Circulação desde que me sejam dadas condições para usufruir da viatura sobre a qual estou a pagar esses impostos e isso claramente não acontece! Lembro-me por exemplo do dia em que vi a minha viatura bloqueada numa rua também da baixa (sim, estava mal estacionado, com uma roda em cima do passeio) e depois de “arrotar” com o dinheiro da multa quase rebento um pneu numa cratera no caminho para casa… e isso irritou-me de forma épica…

Para mais sobre estes e outros temas (como por exemplo o fim da caminhada europeia do Benfica) sigam o meu canal no Youtube, aqui.

Semana#6 – Afinal quantas horas são necessárias?

Numa semana em que se voltou a fazer contas às horas necessárias e desejáveis na Função Pública o meu destaque vai para o nome que vai ser dado ao Aeroporto de Lisboa. Sobra ainda tempo para olhar para os preços dos combustíveis e para as primárias nos states.

Por cá…
Continua-se a falar muito das 35h semanais.
O problema deste tipo de medidas é que habitualmente são tomadas de forma demasiadamente leviana sem ter em conta a sustentabilidade dos serviços. Antes de mais diria que é necessário avaliar as necessidades de recursos humanos nos diferentes organismos públicos por forma a que o recurso às horas extraordinárias seja uma prática de excepção e não algo recorrente, como aparentemente costuma ser. Muito se discute sobre a produtividade aumentar ou diminuir com a redução dos horários para 35h semanais mas até agora não vejo nada quantificado. Percebo perfeitamente quando dizem que um trabalhador se poderá sentir mais motivado se o seu horário reduzir em 1h diária e produzir mais em menos horas mas ainda não percebi até que ponto essa redução de horário afecta as necessidades de produção da Função Pública. No fundo é este o nosso problema de sempre… muito se discute a favor ou contra mas sempre em termos muito teóricos e sem recurso a quantificações que nos permitam opinar de forma realmente ponderada esclarecida. Gosto de ter uma opinião mas gosto que essa minha opinião se baseie em factos concretos e em números específicos. Por isso vou passar à frente…

O Imposto sobre Produtos Petroliferos (ISP) aumentou. A gasolina e gasóleo ficaram 0.06€ mais caros. No total, o que pagamos de imposto por cada litro de combustível, ascende já a 60% do valor final. Se um litro de gasóleo custar agora 1€ significa que na realidade 0.60€ vão parar aos cofres do Estado. Dos 0.40€ que sobram se pensarmos nos custos de transporte e todo o processo que vai desde o momento em que temos um barril de petróleo bruto até ao momento em que temos o gasóleo com que atestamos o depósito é mais facilmente compreensível o porquê de não notarmos a flutuação do preço do barril de petróleo quando ouvimos nas noticias que bateram novos mínimos históricos. No entanto, mil vezes melhor que eu a explicar, vejam a explicação detalhada do Pedro Santos Guerreiro, jornalista do Expresso, aqui

O “novo” Aeroporto
Finalmente a ideia de rebatizar o Aeroporto de Lisboa, comummente conhecido como Aeroporto da Portela, ganhou forma e será oficializada a 15 de Maio deste ano, data em que se passará a chamar “Aeroporto Humberto Delgado”. Já o disse aqui e repito que, não sendo totalmente contra, consigo encontrar outros nomes históricos mais merecedores dessa honra. Além do que toda a gente já sabe sobre a vida e morte de Humberto Delgado, apraz-me dizer sobre ele que, além de apoiante assumido da Alemanha Nazi, foi alguém que serviu o Estado Novo e Salazar enquanto lhe deu jeito (director do Secretariado da Aeronáutica Civil, adido militar em Washington, Chefe da Missão Militar Portuguesa na NATO, Director Geral da Aeronáutica Civil) mas que, ganhando os seus próprios apoiantes, se demarcou quando lhe pareceu que conseguia mais do que tinha até então.

Em alternativa consideraria muito mais justa a escolha de Gago Coutinho ou Sacadura Cabral como nome para o Aeroporto de Lisboa. Tanto um como o outro foram percursores da aviação em Portugal numa altura em que reinava a escassez de técnicas, algo que veio a ser alterado com a ajuda tanto de um como de outro.

Primárias nos EUA
Lá fora, tal como se previa, as primárias no estado de New Hampshire fizeram as primeiras vitimas entre os candidatos a candidatos a Presidente dos EUA. No outro extremo temos o democrata Bernie Sanders (60%) a surpreender com uma esmagadora vitória sobre a Hillary Clinton (38%). Num país que sempre adoptou uma ideia de mobilidade social, onde se acredita que com trabalho qualquer um pode ascender na escala social (ao contrário do ideal da luta de classes), o crescente aumento das desigualdades económicas leva a que cada vez mais jovens se aproximem de Sanders e dos ideais socialistas do candidato. Por enquanto Bernie Sanders poucas hipóteses teria de vingar como Presidente dos Estados Unidos da América sendo que a tentativa de levar avante algumas das suas medidas depressa esbarrariam num congresso demasiadamente conservador, numa escala ainda maior do que aconteceu com o ainda Presidente Obama.
Contudo, esta crescente mudança de mentalidade nos mais novos aponta para o que pode vir a ser uma profunda alteração no médio prazo, em uma ou duas gerações no máximo, no panorama político dos EUA.

Do lado Republicano Donald Trump soma e segue. A coisa ameaça tornar-se séria de mais e a única coisa que me deixa descansado é saber que este tipo de discurso radical nas primárias é mais ou menos “normal” tendo em conta que se puxa pelos extremismos de forma a ganhar votos, algo que habitualmente resulta. Daí que quero acreditar que este Trump tem usado apenas uma máscara com um objectivo muito próprio, mas que passará a ter um discurso e uma atitude muito mais moderada caso passe à próxima fase. A ver vamos.

O Metro faz gazeta

Mais uma vez (a segunda esta semana e a enésima este ano) o Metro hoje fez “greve”. E isso irrita-me.

Não que eu seja contra a greve por si só, ainda que duvide seriamente da sua eficácia pelo menos nos termos em que tem sido feita. Ou que não compreenda o motivo que eles alegam (melhoria das condições de trabalho e salariais) sendo que apesar de haver muito pior cabe-nos a nós lutar sempre por mais.

O que realmente me incomoda é a forma como a greve tem sido feita. Greve ou gazeta?

Para mim uma greve a sério implica alguma forma de protesto e não apenas a falta de comparência no local de trabalho à data e hora estipulada. O que vejo ser feito no metro (e na maioria das greves que vou tendo conhecimento) é pura e simplesmente gazeta ao trabalho. O que tenho visto é os trabalhadores do Metro a chegarem tarde ao trabalho de forma mais ou menos consentida, ou pelo menos com a desculpa que é um direito que lhes assiste.

Não meus caros, para mim greve é estar no local de trabalho e no mínimo não trabalhar. Ir por exemplo para a porta de uma estação central ou da sede da empresa e por lá ficar sem nada fazer. Presente no local de trabalho mas aí sim a fazer greve. Tudo o resto é uma mera falta ou atraso justificado feito de forma combinada e com impacto grave à população.

Nunca fui muito de participar em greves estudantis porque sempre encontrei outras formas de luta mas naquelas em que participei (tanto na Secundária do Lumiar como quando fui dirigente associativo no ISCSP) não fiquei em casa a dormir. Fui para a porta da Escola/Faculdade ou participar nos cortejos e manifestações. Isso meus caros, é greve!!!

Aprendam a fazer greve e depois reivindiquem à vontade…

Renegar as Origens

Tem-se falado recentemente sobre a possibilidade de vir a baptizar o Aeroporto Internacional de Lisboa como “Aeroporto Marechal Humberto Delgado” (não meus caros, não me enganei na patente, para quem não sabe o General foi promovido a titulo póstumo).
Não discordo totalmente, ainda que me consiga lembrar de nomes mais adequados e que contribuíram muito mais para aviação mundial, como seria o caso de Gago Coutinho ou Sacadura Cabral. Mas para isso voltem a dar o nome de Salazar à ponte que o mesmo mandou construir com reconhecidos benefícios que ainda hoje perduram.

Não sendo um acérrimo defensor de Salazar reconheço-lhe mérito por muitas coisas e o demérito de não ter percebido quando devia sair. Defendo a reposição da Ponte Salazar como o faria com qualquer outra figura. Salazar faz parte da nossa História, tanto pelo bem como pelo mal. Apagar o nome seja de quem for, seja de que forma for, traz-me sempre à memória todos aqueles que negam o Holocausto. Existiu, fez, de bom ou de mau temos que viver com ele. Chamo a isso renegar a nossa História, as nossas origens e definitivamente é algo que me incomoda e que seria incapaz.

Consigo dar como excepção situações como a independência de um país. Em Moçambique, por exemplo, após a independência renomearam tudo. Nomes de cidades, pontes, estradas, ruas… tudo o que fizesse lembrar Portugal ou Portugueses em especifico. Mas aqui há uma nova identidade a construir, um novo país a nascer, é normal que se queira começar do zero assim como do zero nasce uma nova nação.

Eu não renego o meu passado. Pelo contrário lembro dele todos os dias o mais que possa porque só assim poderei evitar os erros que cometi repetir o que de bom já fiz.

Moinhos de Santana

Entre a correria do dia a dia desta Lisboa que todos gostamos, pouco tempo ou disposição restam para olharmos à nossa volta e reparar em pequenos pontos curiosos da cidade. Um destes pontos característicos e “estranhos” situa-se entre a Ajuda e o Restelo e é composto por dois moinhos de vento, bem conservados por sinal, ali plantados entre prédios e avenidas largas.

Moinhos de Santana - entre prédios e avenidas

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