Semana#13 – Benfica vs Sporting e a Coreia do Norte

Inicio o artigo com a ordem inversa dos acontecimentos. O Benfica conseguiu na sexta-feira uma vitória bastante folgada contra o Braga. Naquele que se dizia ser o jogo mais difícil até ao final do campeonato o Benfica titubeou no inicio, consentiu uma bola ao poste logo no primeiro minuto mas depois acelerou e cilindrou o Braga com 5 golos. Chateia aquele golinho da treta no final, aquele penalty parvo só para chatear, como os 4-1 do último jogo em casa. É óbvio que o Sporting não podia ficar calado e foi através do Twitter oficial que escreveu “Penalti aos 5-0! A vergonha não tem limites. Nem no dia da verdadeira mentira!”. A meu ver este tipo de situações são disparatadas e tudo aquilo que o futebol não deve ser. Critico o Sporting como criticaria o Benfica se entrasse neste tipo de atitude. Continue reading

Semana#7 – prisão, estádios vazios e o futuro da UE

Devem os pais ser punidos com penas de prisão quando, pelo seu descuido, colocam os filhos em perigo? E qual o futuro que podemos esperar para a nossa Europa? E os Sportinguistas são mesmo os melhores adeptos da Europa? São estas questões que serão respondidas nos parágrafos que se seguem.

O orçamento de estado ainda vai fazer correr muita tinta. Ainda assim o António Costa pode dar-se por contente se for apenas tinta e se não fizer também correr com ele de São Bento para fora. Por um lado a Comissão Europeia continua a pedir um plano B que invariavelmente vai assentar em mais austeridade. Por outro, no plano interno, os parceiros da “Geringonça”, clamam por mais medidas de defesa do estado social… A ver vamos.

Mas infelizmente o destaque vai para temas bem mais delicados e importantes.
O dia de hoje começou com a trágica noticia de uma criança de 5 anos que caiu do 21º andar de um prédio em Lisboa enquanto os pais estavam no casino. Os mesmos foram já detidos. E no meio da dor uma questão se levanta: devem estes pais ser condenados a penas de prisão?
Para mim é certo que devem ser responsabilizados e a primeira medida tem ser a retirada de forma imediata e definitiva da guarda de crianças que tenham aos seus cuidados.

O facto de estes casos merecerem ou não prisão efectiva vai depender essencialmente da nossa forma de ver as coisas: deve ser uma forma de punir apenas aos olhos de quem foi o prejudicado com os danos causados ou perante toda a sociedade? Para quem existiu dolo? Foi propositado ou acidental?

Enquanto que nos casos habituais de homicídios premeditados a pena de prisão seja óbvia (a prisão visa punir o prevaricador na tentativa de prevenir situações idênticas no futuro ao mesmo tempo que o castiga também aos olhos de quem sofreu com o mal causado) no caso em apreço podemos dizer que não existiu dolo maior do que para a própria criança e para os pais (mesmo que existam outros familiares nenhum deles sofrerá tanto como os pais). Ora, não tendo sido um crime propositado, a pena de prisão não me parece que vá repôr a normalidade e bem estar a ninguém. Repito que por mais penas de prisão a que seja submetidos um pai que perca um filho por negligência própria nunca será punido de forma mais dolorosa que a sua própria dor.

Depois temos outro dos casos que abalou o nosso país logo no inicio da semana com a noticia de uma mãe que, em aparente desespero, se lançou de noite às águas de um rio gelado com duas crianças pequenas. A mãe sobreviveu, as crianças infelizmente não tiveram essa sorte. Neste caso, tendo em conta a premeditação da situação e independemente das causas que levaram a mãe a tal acto de aparente desespero não me parece que seja de passar incólume. A dor de uma mãe que mata, nem que seja por piedade como é alegado, um filho não será a mesma que uma mãe que o mata por negligência com a agravante de deixar um pai e restante familia.

E isto ainda nos leva a outra questão que é a da acusação levantada pela própria mãe contra o pai das crianças. Hoje em dia é extremamente fácil sujar a reputação de alguém acusando-o de violação, abusos a crianças, assédio, etc. Mesmo que nada venha a ficar provado contra o acusado o mesmo nunca se livrará desse rótulo e da desconfiança. Mecanismos de defesa contra isto? Infelizmente não há e qualquer um está sujeito a tal… basta que alguém se lembre!

Brexit
Não tendo existido primárias nos EUA o foco voltou-se para a ameaça do Brexit.
Na altura em que este artigo está a ser redigido (sexta-feira) ainda está por decidir o futuro da Grã-bretanha no que respeita ao projecto europeu, O Primeiro Ministro, David Cameron, faz exigências perigosas que levam a que estados membros tenham direitos diferentes como por eemplo o “periodo de carência” que quer implementar a quem é membro há menos de 4 anos ou o facto de poder interferir no futuro da moeda única com direito de veto sobre algumas medidas sem que no entanto o inverso se aplique. Isto para não referir as medidas de excepção que devem passar a vigorar exclusivamente na Grã-Bretanha.

A meu ver há já pouco futuro para a União Europeia.
Qualquer uma destas medidas ao serem aceites (e serão certamente com um ou outro ajuste) abalam, de forma que pode muito bem ser irremediável, as pedras basilares do projecto Europeu. No entanto a própria saída provocada de forma unilateral pelos britânicos colocará também em cheque a unidade no seio da instituição.

A juntar ao embróglio do Brexit não podemos esquecer os últimos tempos conturbados no que toca à desafinação completa dos vários países que, qual orquestra sem maestro, tocam cada um por si e para o seu lado conforme lhes dá jeito. A crise crescente da moeda única tem demonstrado as fragilidades da união monetária que é, ainda assim, o elo mais forte que vai juntando os vários estados membros a União Europeia. À parte isso a crise dos refugiados e a suspensão dos acordos de livre circulação de pessoas e bens, feita de forma unilateral por vários países, mostra bem a desunião reinante. Quo Vadis Europa? Não muito longe arrisco-me a dizer.

Desporto
Durante esta semana foi divulgado o resultado de uma votação para determinar quais os melhores adeptos da Europa. Não é apenas enquanto Benfiquista que me vejo obrigado a duvidar da veracidade de tal votação. A começar pelo facto de este tipo de votação ser facilmente influenciável basta olharmos para trás e vermos as assistências aos jogos. E para não dizerem que comparamos o incomparável vamos olhar para os últimos jogos do Benfica nos 1/16 em diante, na Liga Europa.

Retenham esta informação: no jogo da passada quinta-feira deslocaram-se ao Alvalade XXI cerca de 27.000 adeptos para o jogo dos dezasseis-avos da Liga Europa contra o Bayern Leverkusen.

Dois dias antes o Benfica recebeu o Zenit com uma assistência de 48 mil adeptos mas tal como prometi vamos focar na Liga Europa. Ora bem, acontece então que em 2014 o Benfica recebeu na mesma fase da competição o PAOK (uma equipa que eu penso que todos estarão de acordo em afirmar inferior ao Leverkusen) e mesmo assim conseguiu ter mais 4 mil adeptos no Estádio da Luz. Daí até à final de má memória os números foram engrossando até atingirem os 55 mil adeptos na meia-final… algo que o Estádio Alvalade XXI nem sequer suporta.

Eu prometo que já voltamos à Liga Europa mas permitam-me fazer um pequeno desvio para dizer que no último jogo desse campeonato de má memória. numa altura em que era praticamente impossível sermos campeões, o Benfica teve no Estádio da Luz 51 mil almas a assistir ao jogo (enquanto noutro estádio o Porto se sagrava campeão). No primeiro jogo do campeonato seguinte à época do “quase ganhámos tudo” conseguimos ter no estádio 37 mil espectadores.

Mas o mais engraçado, voltando então como prometido à Liga Europa, acontece na época de 2012/2013 precisamente nos dezasseis avos de final em que o Benfica leva 37 mil à Luz num jogo contra… o Leverkusen. Mais dez mil adeptos para ver exactamente a mesma equipa adversária, exactamente na mesma fase da competição. Melhores adeptos da Europa? A puxar pela equipa no sofá e a lançar farpas no Facebook?! Poupem-me!!!

Para a semana apresentarei um “Especial Óscares” com a minha opinião sobre os filmes e actores nomeados para as principais categorias!

Download Ilegal é crime?!

Acabei de ler uma noticia onde se dá conta da primeira Norte-Americana a ser julgada e condenada por disponibilização de material musical protegido por direitos de autor. Podem consultar a noticia aqui.

A mesma noticia levou-me a escrever este post para de alguma forma tentar desmistificar esta coisa da pirataria informática sob a forma de disponibilização e download de musicas (e quem diz musicas diz filmes, livros, etc.) protegidas por direitos de autor. É ilegal “sacar” as músicas através de programas como o e-mule? Podemos ser julgados e condenados? Sim e não…

Depois de algumas horas de pesquisa nos meandros do Direito, tanto quanto me foi possível apurar, a única lei que regula este tipo de situações é a lei 109/91 de 17 de Agosto. Em todo o Diploma não encontro qualquer referência ao DOWNLOAD (ou, usando os termos da lei, uso de material protegido) de conteúdos. O que quer isto dizer? A Lei é clara quando fala na disponibilização desses mesmos conteúdos, incorrendo o prevaricador numa pena de prisão ou multa, o que significa então que quem DISPONIBILIZAR os conteúdos para download pode realmente ser preso ou multado. No entanto quem APENAS fizer o download dos ficheiros não comete qualquer acto ilegal estando apenas a aceder a conteúdos disponibilizados por outrem. Fazer o DOWNLOAD de ficheiros NÃO É ILEGAL, disponibilizar esses mesmos ficheiros constitui, isso sim, CRIME.

Este é o meu entendimento do Diploma supra-citado que achei como sendo o único que regula esta área da Informática. Quem tiver outras provas, nomeadamente Diplomas aprovados em sede própria (uma expressão muito em voga), não pense duas vezes antes de as divulgar aqui nos comentários.