Semana#13 – Benfica vs Sporting e a Coreia do Norte

Inicio o artigo com a ordem inversa dos acontecimentos. O Benfica conseguiu na sexta-feira uma vitória bastante folgada contra o Braga. Naquele que se dizia ser o jogo mais difícil até ao final do campeonato o Benfica titubeou no inicio, consentiu uma bola ao poste logo no primeiro minuto mas depois acelerou e cilindrou o Braga com 5 golos. Chateia aquele golinho da treta no final, aquele penalty parvo só para chatear, como os 4-1 do último jogo em casa. É óbvio que o Sporting não podia ficar calado e foi através do Twitter oficial que escreveu “Penalti aos 5-0! A vergonha não tem limites. Nem no dia da verdadeira mentira!”. A meu ver este tipo de situações são disparatadas e tudo aquilo que o futebol não deve ser. Critico o Sporting como criticaria o Benfica se entrasse neste tipo de atitude. Continue reading

Semana#5 – O OE2016, Espanha e os EUA

O tema desta semana foi, sem dúvida, a discussão em torno do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) entre o tão falado draft enviado e chumbado pela Comissão Europeia, as negociações com os parceiros do PS, as negociações com Bruxelas culminando com a aprovação em Conselho de Ministros. No final de tudo acabamos com um documento que há um ano previa um grande incentivo ao consumo mas agora simplesmente transporta o peso da austeridade de uns para outros. Entre os particulares e as empresas, o Estado e os privados, umas vezes numa direcção, outras vezes noutras, mas a realidade é que a austeridade se mantém na mesma proporção.

Já o disse aqui e repito que sou a favor do incentivo ao consumo. Acontece que não acho que o OE2016 incentive o consumo. Por exemplo: aumento dos impostos sobre combustíveis e aumento dos impostos sobre os automóveis. Qualquer destas medidas é feita sob a premissa que terá apenas impacto significativo nas classes altas. Será? Dúvido! 0.10€ por litro de gasolina tem mais impacto na carteira de um ricalhaço (mesmo que se faça transportar num potente carro que gasta tanto de gasolina como eu bebo água) ou na carteira de alguém da classe média ou baixa que ganhe pouco mais que o Salário Mínimo Nacional e necessita de carro para se deslocar para o trabalho ou mesmo como ferramenta de trabalho. Ou até que seja apenas para deslocações esporádicas e lúdicas de fim-de-semana… em que carteira é que a súbida dos preços dos combustíveis terá mais impacto? Pois…

Para mim é tudo um grande conjunto de premissas teoricamente boas mas que na realidade actual são um conjunto de premissas erradas em cima de outras premissas igualmente erradas. Como já disse a primeira é de que o impacto vai ser nas classes altas mas esse pressuposto é feito com base noutro pressuposto errado, que é: apenas as classes mais abastadas é que têm carro ou o usam frequentemente. Errado! As classes altas preferem deslocar-se nos carros pagos pelas empresas, muitas vezes com direito a motorista e tudo.

É verdade que os Orçamentos de Estado nunca são cumpridos. Acho até que eles são feitos para não serem cumpridos. Mas ainda assim podem falhar por pouco ou por muito e este eu acho que vai falhar por muito mais que os anteriores (e não me refiro apenas aos da coligação PSD/CDS-PP numa lógica de tendencialismo partidário até porque não podemos dizer que este orçamento é do PS, este orçamento não é de ninguém e é de todos desde o PS, os partidos mais à esquerda e a União Europeia sendo que no fundo não espelha verdadeiramente as vontades de nenhum deles).Temo bem que isso nos leve a um ponto bem pior daquele em que estávamos da última vez que chamámos o FMI. O governo PS de António Costa vai tentar esticar a corda ao máximo fazendo as vontades tanto ao Bloco como ao PCP (aumentando a despesa) e ao mesmo tempo disfarçar o défice fazendo previsões irrealistas de receita. É daqueles assuntos em que eu espero estar completamente enganado e no fundo tenho esperança nisso mas, por precaução, vou tentar poupar mais do que o habitual para eventuais tempos negros que venham por aí.

A única coisa que nos pode safar é a “geringonça” se desmontar em menos de nada, algo em que cada vez acredito mais. O OE2016 pode até passar, quanto mais não seja com a concordância do PSD que também não está interessado em ir já para as urnas, mas pelo que vimos das negociações deste ano o OE2017 ou muda muito ou não passará. Primeiro porque o PSD daqui por um ano estará preparado para ir novamente a votos (situação interna estabilizada não só do lado do PSD como também o CDS-PP; contas do PS a saírem furadas e os eleitores a ficarem ainda mais desconfiados quanto a essa situação) e não se absterá e muito menos votará a favor claro. A juntar à festa creio que o Bloco e principalmente o PCP não irão aceitar fazer qualquer tipo de concessão a qualquer tipo de pedido (nem lhe vou chamar exigências) do PS. Já este ano está a ser complicado com o tema do IVA da restauração e sobretudo as 35h de trabalho semana para a Função Pública onde nem o PS se entende com os parceiros nem se entende internamente com o Ministro das Finanças a dizer uma coisa e o PM a dizer o contrário. Até quando vai o Ministro das Finanças Mário Centeno aceitar as ingerências de todos e mais alguns em algo que deveria ser ele a fazer e controlar? Vou deixar isso para uma próxima porque o post já vai longo e aproveito para outra semana onde os temas escasseiem.

Lá fora, em Espanha, tentam imitar o que se passou em Portugal. As eleições saíram furadas a Mariano Rajoy ainda que, ao contrário do que se passou em Portugal, este cenário de instabilidade e dificuldades para formar governo eram já esperadas. No entanto a situação piora tendo em conta que as relações interpartidárias não são tão boas quanto as que unem em Portugal o PS, PCP e BE (que mal ou bem, como vimos acima, lá vão permanecendo minimamente chegados). Entre o Ciudadanos, o Podemos, o PSOE e o PP ninguém se entende o que vai dificultar e muito a formação de um Governo estável! Mesmo o diálogo entre os dois maiores partidos será muito difícil tendo em conta as divergências políticas e pessoais dos respectivos líderes. Depois entre o Ciudadanos e o Podemos também se verifica que um se coloca imediatamente à parte caso o PSOE tenda a inclinar-se de mais para o outro e como tal um pacto entre estes 3 será também bastante difícil. No máximo daqui a um mês vamos ver no que isto dá. Mariano Rajoy, que enquanto líder do partido mais votado recusou o convite do Rei Filipe VI para tentar formar governo, espera que todo este embróglio termine com novas eleições antes mesmo da formação de um Governo decorrente das últimas. Ainda assim a sua recusa ao monarca espanhol não o deixou muito bem visto junto dos eleitores e o tiro pode muito bem sair-lhe pela culatra.

Nos EUA as primárias de hoje no estado de New Hamphire podem começar já a definir muita coisa entre os favoritos, depois dos resultados no Iowa terem sido diferentes daquilo que se esperava, facto que deixou tudo bastante confuso. Muitos dos candidatos ficarão já hoje pelo caminho, seja por desistência própria ou forçados pela falta de fundos (tendo cada vez menos hipóteses de chegar a algum lado cada vez menos fundos vão conseguir recolher e toda a gente sabe que sem dinheirinho não se corre para POTUS). Mas a procissão ainda vai no adro e temos ainda uns meses de Donald Trump para nos divertirmos (a menos que a coisa comece a ficar demasiadamente séria, ou seja, ele comece a ter efectivamente algumas hipóteses de ganhar alguma coisa).

Publicidade Eleitoral

No Sábado falei sobre o Lixo Eleitoral e o que me incomodam as publicidades no correio e os outdoors plantados no jardim. Ficou a promessa de voltar a escrever no dia a seguir, no entanto preferi esperar alguns dias. E esperei apenas porque queria deixar a informação de quantos dias levou a retirarem todos esses outdoors. Uma semana após as eleições (mais de uma semana após o final da campanha) reparei apenas que o outdoor que se encontrava à porta do meu trabalho, da candidatura do Pedro Santana Lopes, já foi parcialmente retirado (a estrutura de ferro está lá mas o “papel” já saiu). Já aqui no Olival Basto continua tudo na mesma. No caminho entre o Sr. Roubado e a minha casa continuam plantados no meio dos jardins os outdoors principalmente do PS e PSD.
Tentei procurar pela internet os prazos legais para retirar esses materiais, no entanto não encontrei nada, mesmo no site da Comissão Nacional de Eleições. Temo bem que isso nem esteja devidamente regulado.

O tema que pensei em trazer hoje fala também sobre campanha eleitoral escrita, ainda que dissimulada, sobre outdoors e essencialmente revistas/jornais.

E porquê dissimulada? Simplesmente porque surge mascarada em publicações das Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.

Recordo por exemplo a ultima publicação da revista da Junta de Freguesia de Olival Basto (edição de Agosto salvo erro) onde a totalidade das páginas eram ocupadas pelos feitos do executivo nestes últimos 4 anos. Já quando anteriormente tinha pegado no “Magazine Loures/Odivelas” pensei estar a folhear uma revista de campanha do Partido Socialista. Mais chocado fiquei, sinceramente até foi isso que me levou a escrever este artigo, quando vi um outdoor em Odivelas onde a nossa Presidente de Câmara aparece muito sorridente tendo como pano de fundo imagens de algumas das obras que levou a cabo durante o seu mandato.

E foi nesse momento que pensei: quem é que paga pela colocação deste Outdoor? Desde a impressão da publicidade ao aluguer do espaço onde o colocou? Ora nem mais… eu e todos os demais munícipes. Mas parece que todos nós vivemos muito bem com isso já que, aparentemente, ninguém se queixou ou levantou essa questão. A mim realmente incomoda-me que parte dos meus impostos e contribuições seja desviado para campanha partidária, independentemente dos partidos implicados. Já contribuo visto que parte dos nossos impostos vão, tal como está consagrado na lei, para os partidos com representados na Assembleia da República. Se quiser contribuir mais torno-me militante/sócio dum partido e dou-lhes directamente do meu dinheiro.

Deixo ainda outro pensamento que, não tendo directamente a ver com o que escrevi nas linhas acima, vem no seguimento dos últimos artigos que tenho aqui publicado. Mais uma vez, no rescaldo das autárquicas, tivemos todos os partidos a ganhar e todos a perder. Como é que isso é possível? Política meus caros… Política.

Dia de Descanso

Hoje, Sábado 26 de Setembro de 2009, estando a um dia das eleições Legislativas, encontra-mo-nos no habitual dia de Reflexão.

Mas reflexão de quê? Vamos todos reflectir quem é menos Salazar? Quem mais diz que não é necessário falar mal do adversário mas logo em seguida esquece esse “pormenor” e… fala mal do adversário? Quem agora defende com unhas e dentes x ou y quando há alguns anos lhe chamava tudo menos santinho?

A política em Portugal está podre e felizmente, cada vez mais, os eleitores se vão apercebendo. Não venho aqui apelar ao voto em branco, muito menos ao absentismo eleitoral, não vou colocar os chavões habituais do tipo “é preciso fazer alguma coisa” ainda que haja a consciência de que é. Venho apenas desabafar.

O Partido Socialista prometeu e não cumpriu. O PSD prometeu e não teria cumprido. O BE, CDU, CDS-PP prometem e certamente não conseguiriam cumprir.

Mas na hora da verdade discute-se quem foi pior enquanto governou mas pouco se fala do que PODEMOS fazer para melhorar o estado de coisas. Todos falam deste “meu país”, “nosso pais”, mas na hora de trabalhar o que está à frente é a “minha vida”, o “meu estatuto”, o “meu futuro daqui a 4 anos” quando se tomam medidas bonitas para garantir o apoio do eleitorado cego. Cego porque não vê isto e cego porque deixa que com essas medidas este Portugal cada vez mais se afunde. Eu compreendo senhores deputados e principalmente senhores candidatos a Primeiros-Ministros e também senhores EX-Primeiros-Ministros, que aumentar os impostos ou diminuir o incentivo a quem fica em casa sem fazer nada ao abrigo dum subsidio de desemprego em vez do incentivo ao trabalho, sejam medidas que certamente não vos serão favoráveis para o futuro, principalmente para quem aspira a um lugar em Belém ou noutros sítios de iguais ou maiores importâncias. Mas muitas delas seriam certamente medidas que nos tirariam do estado em que nos encontramos.

Infelizmente não seria um caminho fácil e muito menos rápido, mas acredito que se realmente fosse o “nosso pais” em vez d’ “a minha carreira” as coisas poderiam ser mais fáceis.

Bem vindos à terra do Salve-se quem puder.