Semana#14 – Panamá sem cultura mas com jóias

A semana amanheceu com o escândalo “Panamá Papers”. Não percebo qual o espanto. Andamos porventura todos cegos? É mais do que lógico, está e sempre esteve à nossa frente que estas coisas se passam! Porque outra razão continuam a existir este tipo de paraísos fiscais? Porque outra razão que não esta os Governos de todos os países não pressionam para o fim deste tipo de lugares? Continuamos todos a ser enganados porque queremos ou porque não dá jeito preocupar ou porque não podemos fazer nada (ou muito pouco) contra isto. Todas as provas estão à nossa frente e depois quando alguém chama a atenção para os casos fazemos todos uma cara de espanto, revoltamo-nos durante uns dias ou umas semanas na melhor das hipóteses, fazemos rolar uma ou duas cabeças de anões e diz-se que o problema está resolvido.
A diferença é que agora há provas? E depois? Meia dúzia de condenações que acabam em multas, para nós pesadíssimas, mas que no bolso de quem andou a prevaricar são “peaners”, eventualmente algumas condenações a penas de prisão que acabam por se arrastar em recursos e quando já ninguém está a olhar cumpre-se um ano ou nem isso e voltam todos cá para fora, para gozar os milhões como se nada fosse… mas o povo é sereno e segue na dança como se a música nunca tivesse parado de tocar.

Post do João Soares, não sobre o Panamá, mas a prometer bofetadas no Facebook

Na ponta oposta da semana fica a demissão do Ministro da Cultura.
Se dúvidas existiam ficou comprovado esta semana que a nossa Cultura não poderia estar pior entregue. Nem sequer é pela “ameaça física” porque até acho que foi mais uma expressão daquelas que se dizem sem pensar no significado. É mesmo pela falta de saber estar, educação, sensatez. António Costa falou bem quando disse que um Ministro não se pode esquecer do cargo que ocupa nem à mesa do café. Tão execrável como o pai, atrevo-me a dizer.

Nem só de João Soares vivem as polémicas mas de Joana Vasconcelos também. A “artista” se assim lhe quisermos chamar disse que levaria na sua “mala de refugiada” as jóias e o iPad e todo o mundo lhe caiu em cima. Mais um caso de gente que fala mais depressa do que pensa. Por um lado eu concordo. Se de repente tivesse que abandonar a minha casa e partir para uma nova vida no desconhecido tentaria levar os valores que me pudessem garantir um recomeço no meu destino ou que me servissem como moeda de troca pelo caminho. Sempre se fez isso, é o lógico a fazer e sempre se fará se tivermos essa possibilidade. E no fundo o problema é mesmo a falta de possibilidades das famílias que abandonam as suas casas e não têm jóias ou dinheiro ou outros valores para levarem consigo. O que a Joana Vasconcelos disse é uma atitude lógica mas eu duvido que ela o tenha dito da forma pensada como eu o fiz agora. Uma gritante falta de sensibilidade, a futilidade em todo o seu esplendor.

No Desporto fiquei boquiaberto com as declarações do Otávio Machado ao DN: “Jogadores do Sporting só vão à seleção se trabalharem mais do que os outros”. Mais uma vez Otávio Machado a demonstrar o quão ridícula pode ser uma pessoa. Já estamos habituados e cansam as teorias da conspiração saídas da boca daquele homem (da boca só, porque cérebro nem vê-lo). Não consigo sequer tecer mais nenhum comentário, tamanha a imbecilidade das declarações.

Para terminar: Slimani. A novela que envolvia a possível suspensão do jogador terminou da forma como, neste momento, eu preferia que tivesse acabado: sem suspensão.
Passados todos estes meses suspender o jogador era dar ao Sporting e aos sportinguistas todos os motivos para abrirem a boca e dizerem ainda mais disparates. Dar-lhes todas as armas para dizerem que o Benfica controla o sistema e foi tudo pensado ao pormenor para privar o Sporting deste importante recurso mesmo no final da temporada quando o campeonato se vai decidir entre Benfica e Sporting.
Acho que estes casos devem ser decididos de forma muito rápida no menor espaço de tempo possível e não percebo como conseguiram arrastar isto durante uns 5 meses. O que estiveram a fazer todo este tempo? A analisar as imagens que o comum dos mortais analisa em 2m? É assim tão difícil reunir um grupo de juris isentos que possam olhar para as imagens e opinarem sobre se é ou não agressão? Pois… o problema está mesmo na isenção se calhar!
Ainda assim, por mais que ela não conte, não me digam que aquilo não é agressão. Felizmente conheço alguns sportinguistas isentos qb e até esses assumiram no momento.

Relembro que podem ouvir a minha opinião sobre estes e outros assuntos na minha página do Youtube, aqui.