Semana#9 – Trump e a eutanásia

Lá fora tudo na mesma. Trump soma e segue. Foi o grande vencedor a par da Hillary Clinton, cada um do seu lado da barricada, na super terça-feira e ontem voltou a vencer. O caso torna-se sério e a sua nomeação está praticamente garantida. Resta-nos duas consolações:
1º tanto Hillary Clinton como Bernie Sanders estão à frente nas sondagens contra Trump; 2º enquanto Presidente estou certo que Donald Trump seria muito mais moderado em relação àquilo que tem mostrado.
Em Espanha falharam os primeiros acordos para formação de um Governo e praticamente garantidas estão também novas eleições legislativas. Será que vão servir para ultrapassar o impasse ou pelo contrário criarão um cenário ainda mais dificil?

Mas os meus destaques desta semana ficam por cá.

Na Assembleia Regional da Madeira o deputado José Manuel Coelho voltou a fazer das dele. Desta vez, em protesto contra a penhora de que está a ser alvo, resolveu despir-se e entregar a roupa quase toda (ficou de boxers, graças a qualquer entidade divina superior) ao Presidente da Assembleia Regional. Continue reading

Semana#6 – Afinal quantas horas são necessárias?

Numa semana em que se voltou a fazer contas às horas necessárias e desejáveis na Função Pública o meu destaque vai para o nome que vai ser dado ao Aeroporto de Lisboa. Sobra ainda tempo para olhar para os preços dos combustíveis e para as primárias nos states.

Por cá…
Continua-se a falar muito das 35h semanais.
O problema deste tipo de medidas é que habitualmente são tomadas de forma demasiadamente leviana sem ter em conta a sustentabilidade dos serviços. Antes de mais diria que é necessário avaliar as necessidades de recursos humanos nos diferentes organismos públicos por forma a que o recurso às horas extraordinárias seja uma prática de excepção e não algo recorrente, como aparentemente costuma ser. Muito se discute sobre a produtividade aumentar ou diminuir com a redução dos horários para 35h semanais mas até agora não vejo nada quantificado. Percebo perfeitamente quando dizem que um trabalhador se poderá sentir mais motivado se o seu horário reduzir em 1h diária e produzir mais em menos horas mas ainda não percebi até que ponto essa redução de horário afecta as necessidades de produção da Função Pública. No fundo é este o nosso problema de sempre… muito se discute a favor ou contra mas sempre em termos muito teóricos e sem recurso a quantificações que nos permitam opinar de forma realmente ponderada esclarecida. Gosto de ter uma opinião mas gosto que essa minha opinião se baseie em factos concretos e em números específicos. Por isso vou passar à frente…

O Imposto sobre Produtos Petroliferos (ISP) aumentou. A gasolina e gasóleo ficaram 0.06€ mais caros. No total, o que pagamos de imposto por cada litro de combustível, ascende já a 60% do valor final. Se um litro de gasóleo custar agora 1€ significa que na realidade 0.60€ vão parar aos cofres do Estado. Dos 0.40€ que sobram se pensarmos nos custos de transporte e todo o processo que vai desde o momento em que temos um barril de petróleo bruto até ao momento em que temos o gasóleo com que atestamos o depósito é mais facilmente compreensível o porquê de não notarmos a flutuação do preço do barril de petróleo quando ouvimos nas noticias que bateram novos mínimos históricos. No entanto, mil vezes melhor que eu a explicar, vejam a explicação detalhada do Pedro Santos Guerreiro, jornalista do Expresso, aqui

O “novo” Aeroporto
Finalmente a ideia de rebatizar o Aeroporto de Lisboa, comummente conhecido como Aeroporto da Portela, ganhou forma e será oficializada a 15 de Maio deste ano, data em que se passará a chamar “Aeroporto Humberto Delgado”. Já o disse aqui e repito que, não sendo totalmente contra, consigo encontrar outros nomes históricos mais merecedores dessa honra. Além do que toda a gente já sabe sobre a vida e morte de Humberto Delgado, apraz-me dizer sobre ele que, além de apoiante assumido da Alemanha Nazi, foi alguém que serviu o Estado Novo e Salazar enquanto lhe deu jeito (director do Secretariado da Aeronáutica Civil, adido militar em Washington, Chefe da Missão Militar Portuguesa na NATO, Director Geral da Aeronáutica Civil) mas que, ganhando os seus próprios apoiantes, se demarcou quando lhe pareceu que conseguia mais do que tinha até então.

Em alternativa consideraria muito mais justa a escolha de Gago Coutinho ou Sacadura Cabral como nome para o Aeroporto de Lisboa. Tanto um como o outro foram percursores da aviação em Portugal numa altura em que reinava a escassez de técnicas, algo que veio a ser alterado com a ajuda tanto de um como de outro.

Primárias nos EUA
Lá fora, tal como se previa, as primárias no estado de New Hampshire fizeram as primeiras vitimas entre os candidatos a candidatos a Presidente dos EUA. No outro extremo temos o democrata Bernie Sanders (60%) a surpreender com uma esmagadora vitória sobre a Hillary Clinton (38%). Num país que sempre adoptou uma ideia de mobilidade social, onde se acredita que com trabalho qualquer um pode ascender na escala social (ao contrário do ideal da luta de classes), o crescente aumento das desigualdades económicas leva a que cada vez mais jovens se aproximem de Sanders e dos ideais socialistas do candidato. Por enquanto Bernie Sanders poucas hipóteses teria de vingar como Presidente dos Estados Unidos da América sendo que a tentativa de levar avante algumas das suas medidas depressa esbarrariam num congresso demasiadamente conservador, numa escala ainda maior do que aconteceu com o ainda Presidente Obama.
Contudo, esta crescente mudança de mentalidade nos mais novos aponta para o que pode vir a ser uma profunda alteração no médio prazo, em uma ou duas gerações no máximo, no panorama político dos EUA.

Do lado Republicano Donald Trump soma e segue. A coisa ameaça tornar-se séria de mais e a única coisa que me deixa descansado é saber que este tipo de discurso radical nas primárias é mais ou menos “normal” tendo em conta que se puxa pelos extremismos de forma a ganhar votos, algo que habitualmente resulta. Daí que quero acreditar que este Trump tem usado apenas uma máscara com um objectivo muito próprio, mas que passará a ter um discurso e uma atitude muito mais moderada caso passe à próxima fase. A ver vamos.